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Fig.34 (Expulsão dos Franceses do Rio de Janeiro em 1567. Quadro de Armando Viana. Museu Histórico/RJ).

 

Por duas vezes, os franceses, apelidados "mair" pelos índios brasileiros, tentaram fundar uma Colônia Calvinista em terras brasileiras, mas foram repelidos e expulsos.

A primeira tentativa ocorreu, em 1555, na Baía de Guanabara onde os franceses fundaram a França Antártica objetivando (a) implantar uma colônia francesa no território brasileiro (b) abrigar protestantes perseguidos (c) abrir espaço para a exploração mercantil. Com a ajuda dos índios locais - ferrenhos ininimigos dos portugueses - os franceses permaneceram no Rio de Janeiro até o ano de 1567, quando foram expulsos pelo Governador-Geral Mem de Sá e seu sobrinho Estácio de Sá.

O Maranhão foi o alvo seguinte dos franceses: em 1612 ergueram uma vila na ilha que recebeu o nome de São Luís, em homenagem ao rei da França. A permanência nesse reduto foi apenas de três anos. A última investida francesa no Brasil ocorreu em 1711, quando o Rio de Janeiro foi saqueado por uma tropa de 5 mil homens. Após receberem vultuoso resgate, os invasores desocuparam a cidade. A cobiça dos franceses por terras na América do Sul concretizou-se no final do século XVIII, com a ocupação da Guiana Francesa.



 



Fig.35 (Entrada de Villegaignon na Baía de Guanabara. Litografia de Chavane. Museu Histórico Nacional/Rio).

 

Em novembro de 1555, a esquadra de Nicolau Durand de Villegaignon entra na Baía de Guanabara. Na ilha de Serijipe ( hoje Villegaignon), os franceses foram recebidos amistosamente pelos índios locais. Na expedição francesa uma leva de 600 pessoas: colonos católicos e calvinistas, sacerdotes, artesãos, aventureiros e um grande grupo de criminosos recrutados das prisões de Rouen e Paris(1).

 


 

Fig.36 (A primeira missa dos franceses no Brasil. Óleo de Carlos Oswaldo. Palácio São Joaquim/Rio).

 

Villegaignon, de armadura, assiste à missa celebrada por André Thevet(2). Na bagagem do “rezador”: além da Bíblia,18 canhões de bronze (ferramentas de trabalho de uma igreja reformada).

 

 

 



 


Fig.37 (Apoio dos Índios locais. lustração de H.S. in História do Brasil, vol. 1, de Claudio M. Tomás, Editora FTD. , 1967).

 

Os franceses tinham jeito especial para conquistar a amizade dos índios: evitavam a escravização, guardavam justiça nas transações e presenteavam os indígenas com armas de fogo.

 

 

 

 


 

Fig.38 (Mapa antigo do Rio de Janeiro. Biblioteca de Ajuda. Lisboa/Portugal).

 

Este mapa quinhentista mostra a Baía de Guanabara destacando a Cidade Velha (ao lado do Pão de Açúcar) e a Cidade de São Sebastião (mais acima), dois núcleos estratégicos na luta contra os “tamoios”, aliados aos franceses.

 

 

 


 

Fig.39 (Estácio de Sá. Reprodução. Quem é Quem na História do Brasil. Almanaque Abril, 2000).

 

Coube a este Português: construir as bases da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (homenagem ao rei de Portugal) expulsar os franceses do Rio de Janeiro. Ferido por uma flexa morreu em 1567. Seus restos mortais encontram-se na Igreja dos Capuchinos, Tijuca.

 

 

 


 

Fig.40 (Padre José de Anchieta).

 

Anchieta teve papel destacado na luta contra os franceses: junto com Manuel da Nóbrega, obteve a pacificação dos “tamoios”. Ao lado da obra catequética, Anchieta escreveu poesias marcadas pela visão do mundo medieval.

 

 

 


 

Fig.41 (Expulsão dos franceses do Maranhão em 1615. Quadro de Armando Viana. Museu Histórico Nacional / Rio).

 

A França Equinocial, instalada no Maranhão em 1612, teve pouca duração: derrotados pelos portugueses, os franceses abandonaram o Forte de São Luís, em 1615.

 

 

 

 


 

Fig.42 (René Duguay-Trouin. Obra de Chasselai. Museu Histórico Nacional / Rio).

 

Com uma tropa de 5 mil homens, este francês saqueou o Rio de Janeiro (setembro de 1711). Além de confiscar ouro e prata da população, exigiu um valioso(3) resgate. Seu retrato, no museu Histórico Nacional, é admirado por muitos brasileiros ingênuos.

 

 

 

 


 

Fig.43 (Duguay-Trouin na Côrte. Mme. De Cernel. Museu Histórico Nacional / Rio).

 

Ao voltar à França, o corsário foi narrar ao rei Luís XIV (patrocinador do feito) suas façanhas. O saque, apesar de um acidente ocorrido no regresso, rendeu um lucro de quase 100% sobre o custo da expedição.

 

 

 

 


 

 

 

NOTAS:

  1. Da expedição faziam parte nobres, sacerdotes, artífices e até mesmo um grupo de homens arrebanhados das prisões de Rouen e Paris. Os dois partidos religiosos estavam igualmente representados: calvinistas, como Nicolau Barre (relator da expedição) e Thoret; e católicos, como André Thevet e Jean de Cointa. Uns poucos colonos completavam o total de 600 pessoas que vinham na esquadra de Nicolau Durand de Villegagnon (História do Brasil, vol. I, p. 83 Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1972).




  2. O franciscano André Thevet permaneceu no Rio de Janeiro somente por dez semanas. Assim como Frei Soares, ele celebrou, também, a primeira missa no Brasil. Diferentemente da missa rezada pelos portugueses, com a participação de vários indígenas, os franceses não permitiram a presença de nativos no ato religioso celebrado por Thevet. (Dicionário do Brasil Colonial, p. 40, Ronaldo Vainfas/Direção, Editora \Objetiva, Rio de Janeiro, 2000 / Sobre a informação da ausência de índios na missa rezada por Thevet, vide História da Inteligência Brasileira, Vol. 1, p. 116, Wilson Martins, Editora Cultrix, São Paulo, 1978).



  3. Para não destruir a cidade do Rio de Janeiro, René Deguay-Truin exigiu um resgate de 600 mil cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 bois. Para pagar os franceses, contribuíram o governo, a igreja e os particulares. Depois de receberem o resgate, os corsários franceses reembarcaram levando ainda 2.000.000 de cruzados roubados do Mosteiro de Santo Antonio, bem como os bens saqueados dos particulares (História do Brasil, vol. p. 94, Douglas Michalany e Ciro de Moura Ramos, Edições Michalany, São Paulo, 1982).



 

FILMOGRAFIA:

Como era gostoso o meu francês. 1971. Direção e roteiro: Nelson Pereira dos Santos. No século XVI, um francês é capturado na costa do Brasil pelos índios Tamoios (inimigos dos portugueses e tupiniquins). No filme, cenas de antropofagia e hábitos indígenas primitivos.


 

 


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