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Fig. 44 (El-Rei Dom Sebastião. Obra de Cristóvão
Morais. Museu Nacional de Arte Antiga.
Lisboa).
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Aos 14 anos de idade, este menino assumiu
o trono português, dez anos depois, o jovem monarca
sucumbiu com a maior parte da nobreza e do exército
português, no norte da África.
Com a morte do soberano português, o trono foi ocupado
por seu avô, cardeal D. Henrique, que também
faleceu logo depois sem deixar herdeiros. Oportunista, o vizinho
espanhol, Felipe II, usou a força militar, subornou
a nobreza de Portugal e unificou as duas coroas ibéricas.
Assim, em 1580, Portugal e todas as suas colonias (inclusive
o Brasil) passaram paraío dominio espanhol. A dominação
espanhola perdurou até 1640, quando ocorreu a restauração
damonarquia portuguesa.
Efeitos da União Ibérica em relação
a Portugal e ao Brasil: (1) Portugal conservou o português
como idioma oficial, suas colonias continuaram sendo administradas
por funcionários portugueses e, no plano jurídico,
as Ordenações Manuelinas foram substituidas
pelas Ordenações Filipinas. (2) Possibilitou
a expansão do território brasileiro além
do meridiano de Tordesilhas vez que o tratado perdeu sua validade
e todas as terras sul-americanas passaram a pertencer à
Espanha.
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Fig. 45 (Mouros. Reprodução. História
do Brasil, vol. 1, Bloch Editores, 1972).
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A ameaça de expanção
dos arábes levou Dom Sebastião a partir para
o norte da África para combater os mouros. Além
desse justificado temor (antes os arábes haviam dominado
Portugal por 800 anos), o jovem rei alimentava o desejo de
conquistar Marrocos, levar mais longe o catolicismo e tornar
Portugal maior e mais poderoso. Para atiçar ainda mais
o rapazola, seu tio Felipe II (rei da Espanha) prometera conceder-lhe
a mão de uma bonita infanta espanhola, no regresso
da campanha.
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Fig. 46 (Batalha de Alcácer-Quibir.
Quadro de Miguel Leitão de Andrade. Biblioteca Nacional.
Lisboa).
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Embriagado com o espírito cruzadístico
de um país ainda feudal, Dom Sebastião pretendia
conquistar os mouros e convertê-los à fé
cristã. O fervoroso soberano católico ( inepto
e sonhador ) comandava pessoalmente as tropas portuguesas
(um exército de 7.000 nobres, 15.000 expedicionários
e 1.500 cavaleiros,) quando foi abatido pelos arábes
no norte da África, no dia 4 agosto de 1578. Com a
morte do rei e grande parte da nobreza de Portugal, extinguia-se
a linha de sucessão direta ao trono português.
Na Casa dos Braganças, a disputa pelo trono incluía
um bisneto e quatro netos de D. Manuel (entre eles, Felipe
II, rei da Espanha).
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Fig. 47 (Felipe II. Velázquez. Museu
do Prado. Madri).
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Enquanto os portugueses discutiam a questão
sucessória, Felipe II procurava conquistar os nobres
de Portugal mediante subornos, pressões e concessões.
Conseguiu. Com a morte do regente interino, cardeal D. Henrique,
o rei espanhol tomou a coroa portuguesa e unificou Espanha
e Portugal num só Governo. Uma das consequências,
de grande repercussão para o Brasil, foi o bloqueio
das relações comerciais entre Portugal e Holanda,
provocando a invasão do nordeste brasileiro pelos holandeses,
primeiro na Bahia (em 1624) e depois em Pernambuco (em 1630).
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NOTAS:
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Os Lusíadas é um
poema épico dividido em dez cantos, que tem
por temas a viagem de Vasco da Gama em busca do
caminho marítimo para a Índia e a
história portuguesa, desde a luta contra
os mouros invasores até a consolidação
do Estado luso e as grandes navegações
(Os Lusíadas, adaptação didática
de Rubem Braga e Edson Rocha Braga, p. 4, Editora
Scipione, 1999).
- A obra sai à luz em começos de 1572,
dedicada a el-rei D. Sebastião, e valeu-lhe
a tença anual e irrisória de 15 mil
- réis, ainda assim paga com irregularidade
(Enciclopédia Internacional Mirador, vol. 5,
p. 1961, São Paulo, 1983).
- O Tribunal do Santo Oficio não chegou a
se estabelecer diretamente na América portuguesa,
ao contrário da América espanhola, onde
as fogueiras da intolerância seguiram a trilha
da conquista. No Brasil, a inquisição
se estendeu através dos chamados visitadores
e comissários. A primeira visitação
feita ao Brasil, comandada pelo inquisitor licenciado
Heitor Furtado de Mendonça, permaneceu no Nordeste
de 1591 a 1595, fazendo uma gorda colheita de marranos,
feiticeiros, adúlteros e sodomitas. A última
de que se tem notícia esteve no Grão-Pará
de 1763 a 1769, e visou mais as transgressões
de costumes que o judaísmo (Saga, A Grande
História do Brasil, vol. 2, p. 36, Abril Cultural,
1981)
- Em fins do século XVIII a Inquisição,
tanto em Portugal como na Espanha, transferiu suas
perseguições aos maçons (pedreiros-livres)
e partidários das idéias dos enciclopedistas
e iluministas. Calcula-se em cerca de 40.000 as suas
vitimas: aproximadamente 1.175 pessoas foram queimadas
vivas (Enciclopédia Internacional Mirador,
vol. 17, p. 6122 São Paulo, 1983).
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O único intelectual português
a se opor à invasão espanhola foi
o escritor Heitor Pinto. Em 1580, ele protestou
contra a anexação de Portugal pela
Espanha, sendo removido para o convento dos jerônimos
em Toledo, onde morreu ( quatro anos depois), talvez
envenenado (Enciclopédia Internacional Mirador,
vol. 12, p. 9221, São Paulo, 1983).
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A partir da União Ibérica,
passaram a virgorar no Brasil as Ordenações
Filipinas em substituição às
Ordenações Manuelinas. As normas gerais
do Código Filipino (como era chamado) perduraram,
no Brasil, até 1824 (ano em que foi outorgada
a primeira Carta Imperial), extendendo-se outras
normas, penais e processuais, até 1830 (quando
passo a vigorar o Código Criminal do Império).
Um dos traços mais característicos
das Ordenações Filipinas, é
a preocupação em que essa legislação
cogitava de certos crimes, dedicando-lhes capítulos
extensíssimos, e extravagantes. Dentre as
penalidades, a de morte (que poderia ser na forca
ou na fogueira) poderia ser precedida de suplícios,
como a amputação de dedos, mãos
ou braços. Para o “pecado de sodomia
” a pena prevista era cruel: “seja queimado,
e feito por fogo em pó, para que nunca de
seu corpo e sepultura possa haver memória”
(História do Direito Penal Brasileiro, Instituições
de Direito Penal, Vol. 1, Tomo 1, p.115 / 135, Basileu
Garcia, Editora Maxlimonad, São Paulo, 1975).
FILMOGRAFIA:
O Judeu. 1995. Direção:
Jom Tob Azulay. Narra a perseguição que
os judeus sofreram em Portugal pela Inquisição,
no século XVIII. Na época, ou se convertiam
ao catolicismo ou eram obrigados a deixar o país.
O brasileiro Antonio José da Silva, advogado
e autor teatral, após tornar-se “cristão-novo”
para poder continuar seu ofício, é acusado
de heresia. Sofre terríveis torturas e vai parar
na fogueira ( 1739 ), em Lisboa.
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