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Fig: 57 (Ilustração de Mollica, Brasil Colônia,
de Joel Rufino dos Santos. Editora FTD).
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Desde o início, a ação
colonizadora portuguesa contou com a participação
da Igreja Católica. Os jesuítas que vieram para
o Brasil, a partir de 1549, foram responsáveis pela
introdução do catolicismo em nosso país,
catequização dos índios e educação
dos filhos dos colonos.
Para a catequização, grandes
contingentes de de índios eram confinados em missões
(aldeamentos), onde os jesuítas procuravam (1) afastar
os índios das antigas lideranças (2) converter
o nativo ao cristianismo (3) evitar a escravização
indígena pelos colonos. Em razão dos conflitos
gerados entre colonos e missionários, Portugal resolveu
expulsar do Brasil (em 1759) os padres jesuítas, e
em seguida, confiscar todos os seus bens.
Além da destribalização
e da mortandade em consequência de doenças trazidas
pelos europeus, os índios brasileiros sofreram, mais
tarde, um grande golpe desferido pelo Governo: por meio da
Lei das Terras (1850) todas as poses de terras deveriam ser
registradas em cartório. Vivendo nas matas e sem conhecimento
(e meios) com os ingênuos nativos poderiam registrar
suas terras? Os brancos (latifundiarios e grilheiros) festejaram!
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Fig. 58 (Inácio de Loyola. Sacristia da Catedral de
Salvador / BA).
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Fundada por Inácio de Loyola(1),
a Companhia de Jesus estabeleceu-se aqui no início
da administração da Colônia com a missão
de catequizar os indígenas segundos os objetivos da
colonização. Além do trabalho catequético,
os membros da Companhia tornaram-se os primeiros educadores
brasileiros(2,3).
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Fig. 59 (Padre Antônio Vieira). Arquivo
Histórico Ultramarino. Lisboa / Portugal).
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Intransigente defensor dos índios
brasileiros. Padre Vieira foi o primeiro jesuíta a
denunciar a exploração dos nativos pelos colonos
e funcionários da Coroa. Segundo Vieira, os portugueses
foram responsáveis pelo extermínio de milhares
de índios, logo no ínicio da colonização.
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Fig. 60 (José de Anchieta). Obra de
Ednardo Sá. Museu Histórico Nacional. Rio /
RJ).
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Diante das dificuldades para a conversão
dos índios adultos, Anchieta e seus companheiros preferiram
ensinar os princípios da fé católica
às crianças. Dessa maneira, os curumins levavam
então aos adultos o que aprendiam com os catequistas.
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Fig. 61 (São Francisco de Assis e
seus irmãos falando com as aves). Convento de Santo
Antônio. Igaraçú / PE)
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Além dos Jesuítas(4),
outras ordens religiosas, em menor escala, foram autorizadas
a cuidar da alma dos brasileiros: os Franciscanos (voltados
para a assistência espiritual dos moradores das vilas
e seus escravos), os Carmelitas (pedintes descalços,
receptivos a doações de terras, casas, gado
e escravos), os Beneditinos (detentores de extensas fazendas),
os Mercedários (dedicados à catequização
dos indígenas da Amazônia, transformados, depois,
em ricos fazendeiros) e Capuchinhos (especializados no apostolado
popular). A obra religiosa no Brasil encerrava uma grande
contradição: não admitia a escravidão
do índio, porém, era a favor da utilização
do trabalho escravo africano.
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Fig. 62 (Aldeia de Tapuya. Prancha de Johann
Moritz Rugendas. Coleção P. M. Bradi. São
Paulo / SP).
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A serviço da Fé Católica
e da Coroa Portuguesa, a Companhia de Jesus procurava alcançar
dois objetivos: um missionário (através da fundação
de missões indígenas) e outro educacional (pela
organização de colégios, que foram a
base de toda a cultura do Brasil colonial). No plano educativo,
a ação dos jesuítas concentrava-se nos
colégios e seminários. O ensino jesuítico
era subsidiado pela Coroa (através do chamado padrão
de redízima) e colocava a causa católica acima
de tudo(5).
Os cursos não conferiam diplomas, forçando,
assim, uns poucos ricos a concluir seus estudos na Metrópole.
Isso fortificava o cordão umbilical da dependência
e impedia a formação de uma cultura nacional
autônoma(6).
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Fig. 63 (Transporte de Índios Escravos.
Obra de J. M. Rugendas. Centro Cultural. São Paulo
/ SP).
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No plano missionário, a tarefa dos
soldados de Cristo era trazer os selvagens
para o mundo cristão, civilizado. Para tanto, os jesuítas
agrupavam os índios em missões. Nesses núcleos
de vivência (muitos deles abrigando comunidades com
mais de mil pessoas), os índios eram obrigados a trabalhar,
estudar e rezar. Isso representava uma reviravolta nos seus
hábitos, crenças, sentimentos e condutas. Além
da mudança desses valores milenares, as populações
aldeadas sofriam ataques dos colonos interessados na mão-de-obra
indígena. Daí a relação conflituosa
jesuítas versus colonos, desencadeando a intervenção
da Metrópole, a favor destes últimos.
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Fig. 64 ( Marquês de Pombal. Museu
Histórico Nacional. Rio / RJ).
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Por ato de Marquês de Pombal, a Companhia
de Jesus foi obrigada a encerrar suas atividades no Brasil.
Em conseqüência, os membros da Companhia foram
expulsos, seus bens confiscados e os colégios fechados.
O ensino jesuítico passa então para a tutela
da Coroa, sob o sistema de aulas régias(7,
8, 9).
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NOTAS:
- “Produto da Contra-reforma, a Companhia de
Jesus em momento algum perdeu de vista o combate à
Reforma Protestante” (História da Educação,
a escola no Brasil, p. 46, Maria Elizabete et alii,
Editora FTD, São Paulo, 1994).
- “Em 1549, com o primeiro governador geral,
chegaram também ao Brasil os primeiros jesuítas,
sob a chefia do padre Manuel da Nóbrega. Traziam
duas missões claras e definidas pela Contra-Reforma:
ampliar a fé católica e recuperar os
fiéis perdidos com a divisão do cristianismo.
A catequese se propunha à formação
de novos católicos; o Deus cristão abriria
o caminho da santidade e da salvação
dessa gente selvagem, bárbara, incivilizada.
Dessa forma, o catolicismo tornou-se um traço
cultural marcante da sociedade colonial brasileira”
(História do Brasil, p. 45, Clarence José
de Matos e César A. Nunes, Editora Nova Cultural,
São Paulo, 1994).
- “A pedagogia jesuítica consistia em
aulas de ler, escrever e contar números, para
os filhos dos colonos e para os índios mais
avançados (...) Havia orações
e missas em latim, com a presença obrigatória
não só dos alunos mas também
de todos os seus familiares. Pode-se dizer que a Companhia
de Jesus foi a instituição responsável
pelo único trabalho intelectual realizado durante
os séculos XVI e XVII, no Brasil” (Clarence
José de Matos e César A. Nunes, op.
cit., p. 45).
- “Além de gozar de vastos privilégios
nos campos missionário e pedagógico,
conferidos pela Santa Sé e reconhecidos pelos
reis portugueses, a Companhia de Jesus tornou-se também
uma das instituições mais opulentas
da América portuguesa. Através de doações
e de uma cuidadosa administração de
seu patrimônio, acumulou imenso cabedal em sesmarias,
propriedades urbanas, fazendas de gado, engenhos e
escravos africanos” (Dicionário do Brasil
Colonial, p. 328, Ronaldo Vainfas/Direção,
Guilherme Perreira das Neves (co-autor), Editora Objetiva,
Rio de Janeiro, 2000).
- “No mais, o Ratio Studiorum, o Plano de Estudos
dos jesuítas, reinava absoluto, e o faria por
séculos, mesmo após a expulsão
de seus criadores (1759) e o desmantelamento do sistema
educacional colonial. Esse ensino era subsidiado pela
Coroa, através do chamado padrão de
redízima, que correspondia a 10% dos impostos
cobrados na colônia (...) Não concediam,
todavia, diplomas, o que era um privilégio
da Metrópole” (Maria Elizabete Xavier
et alii, op. cit., p. 48).
- “Nossos letrados eram, assim, forçados
a concluir os seus estudos na Europa, mais freqüentemente
em Coimbra, reforçando os laços de identificação
cultural com a pátria-mãe. Dessa forma,
prevenia-se contra o desenvolvimento de uma cultura
nacional e de anseios de autonomia, já pouco
favorecidos pelo modo dependente como se organizara
a vida colonial” ( Op. cit., p. 48).
- “Nossos letrados eram, assim, forçados
a concluir os seus estudos na Europa, mais freqüentemente
em Coimbra, reforçando os laços de identificação
cultural com a pátria-mãe. Dessa forma,
prevenia-se contra o desenvolvimento de uma cultura
nacional e de anseios de autonomia, já pouco
favorecidos pelo modo dependente como se organizara
a vida colonial” ( Op. cit., p. 48).
- Ao lado das aulas-régias, continuaram a funcionar
os seminários e os colégios das demais
ordens religiosas (Saga, A Grande História
do Brasil, Vol. 2, p. 198, Abril Cultural, São
Paulo, 1981).
- “Nossos letrados eram, assim, forçados
a concluir os seus estudos na Europa, mais freqüentemente
em Coimbra, reforçando os laços de identificação
cultural com a pátria-mãe. Dessa forma,
prevenia-se contra o desenvolvimento de uma cultura
nacional e de anseios de autonomia, já pouco
favorecidos pelo modo dependente como se organizara
a vida colonial” ( Op. cit., p. 48).
FILMOGRAFIA:
A Missão. 1986. Direção:
Roland Jaffé. Roteiro: Robert Bolt (Inglaterra).
América do Sul, meados do século XVI.
Uma missão jesuíta, com milhares de Guaranis,
entre eles crianças e mulheres, é bombardeada
e incendiada por forças repressoras espanholas
e portuguesas. Em foco, o papel da Igreja no processo
da catequese e a questão do choque de culturas.
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2 :: 2002 |
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