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Fig. 74 (Ilustração de Amauri Oliveira. Adaptação.
História do Brasil, de Elza Nodai e Joana Neves.
Editora Saraiva, 1988).
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No século XVIII, o Brasil tornou-se
o maior produtor de ouro e diamantes do mundo. Pequena parcela
dessa riqueza ficava aqui: grande parte do ouro brasileiro.
O ouro deixou buracos no Brasil, palácios
em Portugal e fábricas na Inglaterra. Em resumo,
foi essa a herança da atividade mineradora na Colônia:
contribuiu para a construção de luxuosos palácios
na cidade de Lisboa; foi a alavanca da industrialização
e do enriquecimento da Inglaterra; e no Brasil, foi causa
de revoltas, enforcamentos e do empobrecimento do povo brasileiro.
Dois acordos leoninos: no primeiro, a Inglaterra
se comprometia a defender Portugal e suas colônias em
troca de facilidades para os manufaturados ingleses;
no segundo, Portugal assumia o compromisso de importar tecidos
produzidos na Inglaterra e esta a comprar vinhos portugueses.
Resultado: Portugal sem indústrias (e atolado em dívidas)
canalizou a maior parte do ouro brasileiro parar as garras
do Leão Britânico(1).
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Fig. 76 (Produção de ouro brasileiro ).
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A grande quantidade de ouro e diamantes extraídos
no século XVIII ( 98.2 ou 172 toneladas conforme indicam
as diferentes pesquisas ) transformou a vida colonial, porém,
não mudou em nada as condições sociais
do povo colonial. Afinal, a Colônia era a vaca
de leite dos Braganças e não dos Brasileiros
(2).
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Fig. 77 (Faiscador com bateia. Reprodução.
Saga, A Grande História Brasil, vol. 2, Abril Cultural,
1981). |

Fig. 78 (Extração
de diamantes. Quadro de Carlos Julião. Biblioteca
Nacional / Rio). |
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O ouro era encontrado quase à superfície
do solo. As técnicas usadas, porém, eram primitivas.
No ouro de lavagem (existente no leito dos rios) utilizava-se
a bateia. Para garimpar nos barrancos, eram abertas as catas
(grandes buracos afunilados) de onde o cascalho era retirado
e lavado, recolhendo-se as pepitas ali depositadas. No caso
dos veios auríferos (explorados somente por mineradores
com recursos) cavavam-se lavras ou minas, exploradas a céu
aberto ou em galerias subterrâneas. Sem melhorias no
processo de extração, a partir das últimas
décadas do século XVIII, a produção
começou a declinar, chegando ao completo esgotamento
no final do século.
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Fig. 79 (Moedas portuguesas cunhadas com o ouro do Brasil.
(Museu Histórico / RJ). |

Fig. 80 ( Bateia, fôrmas de fundição
e barra de ouro. (Museu Histórico / RJ).
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Para arrecadar o máximo, Portugal
exigia: o quinto (20% do ouro extraído); entrada (imposto
cobrado sobre as mercadorias destinadas às minas);
e a capitação (cobrança de 17 gramas
de ouro de cada escravo do minerador). A parte do rei, o quinto,
deveria superar 100 arrobas (1.5 toneladas) anuais; do contrário,
vinha a derrama, obrigando toda pessoa, mineradora ou não,
a completar a cota estabelecida. No período da derrama
desapareciam os direitos e garantias da população,
sendo freqüentes as invasões de residências,
violência, prisões e arrecadação,
à força, de dinheiro, jóias, movéis
e até objetos pessoais. Essa medida odiosa foi uma
das causas da Inconfidência Mineira.
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Fig. 81 (Faiscação de diamantes.
Quadro de Carlos Julião. Biblioteca Nacional /Rio).
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Nas minas, as condições de
trabalho eram extremamente duras. Mesmo sob rígida
vigilância e castigos físicos, os escravos conseguiam
ocultar pequenas pepitas de ouro nos orifícios do corpo.
No caso de ingestão de pedras preciosas, os capatazes
administravam-lhes crísteres de pimenta-malagueta.
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Fig. 82 (Interior da Capela de São
Francisco, Recife. Capela Dourada, Mosteiro de Santo Antônio,
Recife/PE).
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O ouro aliado à devoção
de alguns colonos ricos concorreu para a construção
de sutuosas igrejas em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro
e Pernambuco. Conhecer o interior desses templos é
como fazer uma viagem no tempo e ver o que restou.
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Fig. 83 (Estátua do profeta Ezequiel
esculpida por Aleijadinho. Uma das 12 estátuas esculpidas
por Aleijadinho, entre 1800 e 1865, para o adro do Santuário
do Bom Jesus de Motosinhos, Congonhas/MG).
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O ouro proporcionou, também, notável
desenvolvimento nas artes plásticas. Na escultura,
destacou-se a figura de Antônio Francisco Lisboa (apelidado
de Aleijadinho) cuja obra encontra-se presente nos altares,
púlpitos, lavabos, tetos e imagens sacras de muitas
igrejas da região mineira.
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Fig. 84 (D.João V. Biblioteca da Universidade
de Coimbra / Portugal).
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Com o ouro brasileiro D. João V (
1707 - 1750 ) transformou a Corte Lusitana num espetáculo
de luxo e espledor e ofereceu à nobreza e ao clero
da Europa presentes nababescos. Dois cardeais portugueses
foram contemplados com vários caixotes repletos de
ouro(3).
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Fig. 85 (Inglaterra, símbolo de voracidade.
Enciclopédia Mirador Internacional, vol 17, 1983).
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Qual o destino da imensa riqueza encontrada
no Brasil ? Uma parcela ficou aqui, concentrada nas mãos
de poucos colonos; outra parte seguiu para Portugal (para
sustentação da Corte e para a reconstrução
de Lisboa, destruída(4)
por um terremoto); o quinhão maior foi parar na Inglaterra
(credora de Portugal) alavancando a Revolução
Industrial daquele país(5,
6).
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NOTAS:
- “ O Tratado de Methuen representou a completa
subordinação de Portugal aos interesses
britânicos e a manutenção do país
na órbita de influência da Inglaterra”
(Formação Econômica do Brasil,
p. 84, Maria Gusmão de Mendonça e Marcos
Cordeiro Pires, Editora Thomson, São Paulo,
2002).
- “ Cumpre ainda ressaltar que, apesar da extraordinária
riqueza gerada, o ouro brasileiro não contribuiu
para que Portugal retomasse o papel de grande potência.
Pelo contrário: acentuou sua dependência
em relação à Inglaterra, que
pôde tirar proveito da transferência de
enormes quantidades do metal para pagamento das importações
lusitanas, obtendo os recursos necessários
para o financiamento da Revolução Industrial”
(Maria Gusmão de Mendonça e Marcos Cordeiro
Pires, op. cit., p. 89).
- Foi no reinado de D. João V (1707-1750),
que se consolidou a subordinação econômica
de Portugal à Inglaterra, tornando-se esta
a grande beneficiária, na Europa, do ouro produzido
no Brasil (Dicionário do Brasil Colonial, verbete
D. João V, elaborado por Jaqueline Hermann,
pp. 166 / 167, Ronaldo Vainfas / Direção,
Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2000).
- O terremoto de 1º de novembro de 1755 destruiu
grande parte da cidade de Lisboa (cidade baixa) deixando
um saldo de cerca de 40 mil mortes (Enciclopédia
Internacional Mirador, vol. 13, p. 6909).
- “ Depois de ter financiado a Revolução
Industrial da Inglaterra e a transformação
desse Estado em potência mundial, o ouro do
Brasil (obtido com o suor e lágrimas dos africanos
escravizados) começou a se esgotar, por volta
de 1780” (Panorama Geográfico do Brasil,
contradições, impasses e desafios socioespaciais,
p. 69, Melhem Adas, Sergio Adas/Colaborador, Editora
Moderna, São Paulo, 1998).
- Diferentemente do que ocorreu no Brasil, a descoberta
de ouro nos EUA (em 1848, na Califórnia) fomentou
o desenvolvimento industrial e acelerou o enriquecimento
daquele país ( História Administrativa
e Econômica do Brasil, Helio de Alcântara
Avellar, MEC, 1970).
FILMOGRAFIA:
São João Del Rey.
1958. Direção: Humberto Mauro. Documentário.
Faz parte da coleção Brasilianas. Mostra
aspectos culturais, históricos e arquitetónicos
da cidade mais importante do ciclo do ouro em Minas
Gerais.
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2 :: 2002 |
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