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Fig. 95 (Ilustração de Nilo Rosso). ).
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Depois de ter sido torturado até a
morte, Felipe dos Santos teve seus braços e pernas
amarradas em quatro cavalos que partiramem diferentes direções.
No Período Colonial (final, do século
XVII e primeiras décadas do século XVIII), muitas
rebeliões explodiram em diferentes pontos do território
brasileiro. No Maranhão, a insatisfação
da aristocracia rural com a atuação abusiva
da Companhia de Comércio desencadeou a Revolta de Beckman.
Em Minas Gerais, a disputa pelo domínio das minas de
ouro gerou a guerra dos Emboabas (entre garimpeiros paulistas
e moradores de
outras capitanias ).
Em Pernambuco, a disputa pelo poder político
local (entre senhores de engenho centralizados em Olinda e
comerciantes portugueses de Recife) motivou a guerra dos Mascates.
E, na região mineira, a oposição à
instalação das Casas de Fundição
e cobrança de pesadas cargas fiscais custou a vida
de Felipe dos Santos. Nenhum desses movimentos oferecia um
projeto de emancipação politica do Brasil. Foram
reações isoladas contra os desmandos e injustiças
do sistema colonial.
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Fig. 96 (Aclamação de Amador Bueno. Ilustração
de Mollica. Histórias do Brasil Colônia. FTD).
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Outro caso de insatisfação
dos colonos (parecendo estória de trancoso) aconteceu
em São Paulo, quando Portugal se separou da Espanha:
um grupo de paulistas aclamou Amador Bueno (filho de espanhóis)
rei de São Paulo. O sujeito, com sua modéstia,
não quis ser rei profissional. Fugiu e se escondeu
num convento.
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Fig. 97 (Revoltas no território brasileiro.
Ilustração de Cláudio Magno).
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Cada manifestação de rebeldia
colonial apresentava motivos diferenciados. Afinal, o Brasil
era uma extensa colônia despovoada, com regiões
isoladas e condições completamente distintas
uma das outras.
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Fig. 98 (Santo de pau oco. Reprodução.
História do Brasil, vol 1, Bloch Editora).
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Na região mineradora, o contrabando
de ouro em pó era feito através de imagens de
madeira que os santeiros escupiam deixando o interior oco
para facilitar a ocultação do metal. As Casas
de Fundição, criadas para transformar o ouro
em barras, foi causa do motim liderado por Felipe dos Santos.
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Fig. 99 (Julgamento sumário de Felipe
dos Santos. Óleo de Antônio Parreiras. Museu
Antônio Parreiras. Niterói/RJ).
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Cerca de dois mil mineradores participaram
do movimento contra a criação das Casas de Fundição.
Os principais cabeças foram presos, suas propriedades
queimadas e, depois de desfilarem coercitivamente pelas ruas
de Vila Rica, foram mandados para as masmorras de Lisboa.
O mais saliente do grupo, Felipe dos Santos, recebeu o castigo
mais cruel: antes de ser arrastado por 4 cavalos, foi executado
no garrote vil, instrumento reservado aos assassinos e ladões
da época. O suplício consistia em estrangular
o condenado colocando-lhe no pescoço uma argola de
ferro que era apertada lentamente até o último
suspiro.
Felipe dos Santos era um simples tropeiro.
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Figs.100,101 e 102 (Milícias brasileiras nos séculos
XVII e XVIII. Museu Histórico Nacional/Rio). |
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Peculiaridades de cada movimento. Na hilariante
história do colono que não quis ser rei (Amador
Bueno), alguns historiadores não admitem que o episódio
obedecesse a um impulso gratuito da gente paulista. Teria
havido influência de agentes espanhóis interessados
na autonomia do sul do país e no comércio do
rio da Prata. Tanto que o grupo era chefiado pelos irmãos
espanhóis Rendon de Quevedo. Na revolta dos fazendeiros
do Maranhão, a Coroa extinguiu a exclusividade da Companhia
que vendia africanos, dois rebeldes foram enforcados e os
jesuítas voltaram a controlar os indígenas.
A disputa dos Emboabas ( com assassinos e bandoleiros de ambos
os lados) resultou em traição, mortes e na criação
da capitania das Minas, separada da de São Paulo. A
refrega dos mascates culminou com a autonomia de Recife (com
direito a pelourinho e eleição de homens
bons ). Em Minas, a crueldade contra o português
Felipe dos Santos teve que ser explicada em Portugal. O governador
inventou um crime de lesa-magestade (tentativa de separação
da Colônia). Muitos historiadores incautos ainda embarcam
nessa lorotagem.
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Fig. 103 (Coche Imperial. Museu Nacional
dos Coches. Lisboa/Portugal).
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Esta excentricidade (em exibição
permanente no Museu dos Coches, Lisboa) era o transporte oficial
e particular de D. José I. O ouro brasileiro, produzido
no século XVIII, proporcionava esse tipo de esbanjamento.
O suntuoso Palácio de Queluz em Lisboa, construído
também no século do ouro, é outro exemplo
dessa opulência. Para sustentar o luxo e a ociosidade
da realeza portuguesa, a Metrópole explorava o máximo
as riquezas da Colônia.
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NOTA: À noite, depois da execução
de Felipe dos Santos, o governador Conde de Assumar, para
aterrorizar a população de Vila Rica, mandou
tocar fogo nas propriedades de alguns rebeldes. O fogo se
alastrou por toda a região e ruas inteiras foram destruídas.
O local, totalmente arrasado, passou a chamar-se Morro das
Queimadas.
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