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(Ilustração de Voltolino).
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Em meio aos festejos da República,
os ingleses (montados nas costas dos brasileiros desde os
tempos joninos) deram outro bote: só reconheceriam
o novo regime brasileiro se o Governo Militar assumisse a
centenária dívida do Império. (Yes,.
Yes, no problems!) e tome juros, comissões e sufoco.
Com a República, o país recebeu
um pomposo nome (Estados Unidos do Brasil), mudou de bandeira
(com uma legenda positivista importada da França),
ganhou uma constituição copiada, separou a Igreja
do Estado e empossou um presidente militar.
Porém, a esclerosada estrutura econômica
e social do país permaneceu a mesma: grandes latifúndios,
economia voltada para a exportação e riqueza
nacional centralizada nas mãos de alguns. O povo, afastado
das decisões nacionais, continuou vivendo miseravelmente.
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Fig. 193 (Bandeira Nacional).
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O Pavilhão Nacional - instituído
por um decreto de 19 de novembro (daí a data comemorativa
da bandeira) manteve as mesmas cores da velha bandeira imperial,
desenhada (em 1822) por Jean Baptiste Debret homenageando
a Dinastia dos Braganças (verde) e a Casa dos Habsburgos
(de cor amarela), à qual pertencia a primeira consorte
de D. Pedro I. Estudos astronômicos indicam erros no
pano pátrio e o lema ali contido (importado da doutrina
positivista de Comte) não expressa as únicas
aspirações nacionais. Por isso, a Igreja protestou
e o Bispo do Rio de Janeiro não benzeu o maior símbolo
da Pátria.
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Figs. 194 (Marechais Deodoro da Fonseca.
Museu da República / Rio)

195 (Floriano Peixoto.
Museu da República / Rio)
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O primeiro Presidente da República
e seu vice, ambos militares, foram eleitos indiretamente pelo
Congresso Nacional. No seu governo, o marechal Deodoro fechou
o Congresso, decretou estado de sítio e mandou prender
seus opositores. Pressionado renunciou. Ao assumir, o vice
Floriano Peixoto não convocou novas eleições
como mandava a Constituição Federal, completando,
de forma ilegítima, o mandato presidencial. Ao terminar
seu governo (em 1894), o marechal não compareceu à
posse do sucessor civil. Assim começava a nossa República!
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Fig. 196 (Prudente de Morais).
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O primeiro presidente civil do Brasil foi
Prudente de Morais (1894-1898), fazendeiro paulista. Com ele
começava a República Velha que iria até
1930. Nesse período, a política interna do país
era voltada exclusivamente para a classe social que sustentava
o poder: cafeicultores e latifundiários.
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Fig.197 ( Com cerca de 5.200 casebres e aproximadamente
25 mil pessoas, Canudos era, depois de
Salvador, a localidade mais povoada da Bahia. Museu Histórico
Nacional / Rio).

Fig.198 (O corpo do barbudo foi exumado e sua cabeça
levada para Salvador para fins de estudos. Escultura
de Chico Santeiro. Coleção Olympio de Souza
Andrade / Rio).

Fig.199 ( Cena do filme Guerra de Canudos, superprodução
brasileira dirigida por Sérgio Rezende.
José Wilker interpretando Antonio Conselheiro no filme
Guerra de Canudos).
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No governo de Prudente de Morais, ocorreu
o extermínio de Canudos. Fugindo da miséria
e das injustiças sociais, humildes sertanejos uniram-se
em torno do beato Antonio Conselheiro e fundaram
o Arraial de Canudos, no sertão da Bahia. Ali, uma
legião de milhares de pessoas ouvia e obedecia o rude
beato. Não compreendendo certas mudanças republicanas,
o pregador criticava o novo regime, combatia o casamento civil
e repelia a cobrança de impostos. Essa pregação
(considerada pró-monarquista), a constante fuga de
peões das fazendas para o arraial e o enorme poder
do pregador sobre aquela multidão representavam
um perigo para os donos do poder. Sentindo-se ameaçados,
fazendeiros de toda a região exigiram das autoridades
oficiais a destruição do arraial. Depois de
longas e sangrentas batalhas, a comunidade inteira, incluindo
crianças, mulheres e idosos, foi exterminada pelo Exército
Brasileiro. Em nome da Lei e da Ordem!
( 1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 , 7 , 8 , 9 , 10 , 11 , 12 e 13 )
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NOTAS:
- “O derradeiro empréstimo do regime imperial, negociado pelo conselheiro José A. de Azevedo e Castro, delegado do Tesouro, com Rotschild, destinado à conversão dos empréstimos de 1865, 1871, 1875 e 1888, foi o 1889, de £ 17.213.500, tipo 90, juros de 4% e prazo de 56 anos, isto é até 1945! Rendeu £ 15.492.150 pelas quais daremos £ 55.571.740!!! Esta operação foi ratificada pelo Governo Republicano em 1890, a 29 de abril, assinando pela Republica o mesmo conselheiro que assinara antes pelo Império” (Brasil, Colônia de Banqueiros, p. 83, Gustavo Barroso, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1935).
- Segundo Amaro Cavalcanti, o Império legou à República uma dívida estrangeira total de £ 30.283,200 de capital, não se computando nela os monstruosos juros a serem pagos. Essa dívida começara em 1824 modestamente com £ 3.000.000, em duas fornadas e várias prestações, mediante um contrato leonino. Havíamos pago juros e amortizações continuamente com graves sacrifícios para a economia nacional. Do dinheiro das escandalosas, ruinosas e onerosas ou tristes operações realizadas, pouca, muito pouca coisa nos tinha servido para o desenvolvimento de linhas férreas, o pagamento de despesas de guerra ou de dívidas internas. A quase totalidade destinara-se sempre a pagar remanescentes, excedentes, juros vencidos e acumulados das dívidas estrangeiras. E, após 65 anos de trabalho ininterrupto, devíamos dez vezes mais!” (Gustavo Barroso, op. cit., p. 84).
- “A Bandeira Brasileira tem um desenho único exclusivo, que a distingue das demais. Ela foi concebida por Jean Debret, pinto-francês e fundador da nossa Academia de Belas-Artes, que se inspirou em algumas bandeiras militares do seu país...” (História dos Símbolos Nacionais, p. 35, Milton Luz, Senado Federal, Distrito Federal, 1999).
- “Em 29 de setembro de 1823, o nosso agente diplomático junto à Corte de Viena descreve a Metternich a bandeira do novo Império do Brasil. Sobre as suas cores dissera que D. Pedro I escolhera o verde por ser esta a cor da Casa de Bragança: e a amarela, a Casa de Lorena, de que a usa a Família Imperial da Áustria” (Milton Luz, op. cit., p. 17).
- Tais erros foram confirmados em 1925 pelo astrônomo Henrique Morize. Depois de mostrar que o Cruzeiro, além de exagerado em tamanho, está visivelmente deslocado, pois estrela mais boreal (Gama) se acha representada quase no zênite, concluía que não havia correspondência entre a posição da estrela e a exigida pela lei, para a representação da bandeira. Morize afirmava que a estrela Espiga-Alfa de Virgem, que está acima da faixa , deveria estar escondida pela faixa”. Em outro ponto do seu parecer, Morize denunciava que a constelação do Escorpião difere bastante do aspecto da constelação vista do céu, em conseqüência da adição de algumas estrelas e da supressão de outras (Idem, op. cit., p. 66).
- O bispo do Rio de Janeiro recusou benzer a nova bandeira, explicando que a divisão pertencia a uma seita. A benção fora solicitada pelo comandante do 2º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Miguel Lemos reconheceu o direito de sua excelência recusar exercer o ministério em objeto que julgou contra sua consciência; mas não concordou com “as suas palavras quando aludiu a emblemas ou símbolos positivistas” (A Bandeira do Brasil, p. 399, Raimundo Olavo Coimbra, Instituto Brasileiro de Geografia-IBGE, Rio de Janeiro, 1979).
- O lema completo de Augusto Comte é “o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”. O resumo para Ordem e Progresso foi feito por Miguel Lemos, como, aliás, já era corrente fazê-lo na França (Raimundo Olavo Coimbra, op. cit., p. 325).
- Declarava-se que o Executivo seria exercido pelo Presidente da República, “como chefe eletivo da Nação” (art. 41). Substituía o Presidente nos impedimentos e sucedê-lo-ia no de falta o Vice-Presidente, que tinha a incumbência de presidir o Senado. Se a vaga por morte ou outra causa do Presidente ocorresse nos dois primeiros anos do quatriênio, para o qual fora eleito, far-se-ia nova eleição. Mas, decorridos dois anos, sucedia o Vice. Deodoro renunciou no 1º ano e Floriano não mandou preceder à nova eleição, o que representou um golpe d'Estado e provocou revolta de Armada e turbulência no País (Constituições Brasileiras, vol. II, p. 36, Aliomar Babeiro, Senado Federal, Distrito Federal, 2002).
- “A mentira eleitoral das eleições a bico-de-pena, agravadas pelas degolas na apuração pelo Congresso, as intervenções federais com base no art. 6º da Constituição e a alternância de paulistas e mineiros na Presidência da República, na chamada política do café-com-leite, concorreram para o desencanto geral com respeito às instituições criadas em 1891 (Aliomar Babeiro, op. cit., p. 71).
- “Antônio Conselheiro era monarquista, pois considerava o regime republicano ilegítimo, ateu e maléfico aos bons cristãos. Porém, era uma grande mentira apresentar Canudos como uma tentativa de restaurar a monarquia. O que Conselheiro desejava era viver em paz junto aos seus seguidores” (Canudos: fanatismo ou luta pela terra? P. 8, Renato Mocellin, Editora do Brasil, São Paulo, 1998).
- “O sonho de Antônio Conselheiro era o de fundar uma comunidade sem os poderes constituídos e, portanto, sem exploração, na qual, tendo como base a fé em Deus e com o trabalho, as pessoas pudessem viver em paz” (Renato Mocellin, op. cit., p. 15).
- A historiografia tradicional procurou minimizar a importância social de Canudos, o primeiro grito de rebeldia contra o latifúndio e as condições de exploração e miséria que ele impunha. E que continua a impor até hoje (...) Antônio Conselheiro, por razões ideológicas dos historiadores da época e mesmo atualmente por alguns, sempre foi mostrado de uma forma deturpada. Foi chamado de bandido, louco, fanático, inimigo da República, que lutava para restaurar a monarquia. Canudos era considerado pela classe dominante como uma experiência extremamente perigosa. De certa maneira, não deixava de ser, porque, dentro de uma quadro de opressão e exploração, Canudos poderia servir de exemplo para que outros sertanejos se juntassem, formando comunidades livres e independentes. A classe dominante perderia a mão-de-obra barata e seu poder político. Por isso, Canudos deveria ser esmagado (Idem, op. cit., p. 6).
- 13. A campanha militar contra Canudos foi testemunhada e registrada por Euclides da cunha na obra Os Sertões, cuja primeira edição veio a lume em 1902. Todas as edições posteriores (cerca de 100, incluindo 26 publicações estrangeiras em 10 idiomas) foram primorosamente reunidas pelo pesquisador e jornalista Pádua Lopes na “Coleção 100 edições nos 100 anos de Os Sertões” (Diário do Nordeste, 15/agosto/2002).
FILMOGRAFIA:
Guerra de Canudos. 1997. Direção: Sérgio Rezende. Vídeo. Coleção. Isto É Novo Cinema Brasileiro. Mostra o enfretamento entre o povo do arraial e as tropas do governo, no final do século XIX. Abre espaço para os seguintes questionamentos: (a) o movimento de Canudos pode ser interpretado como uma reação contra o latinfúndio? (b) havia outra alternativa para o governo evitar a Guerra de Canudos? (c) a Guerra de Canudos desmistifica o caráter pacífico do povo brasileiro?
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