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PAINEL 40




"Desembarque de Cabral em Porto Seguro". Quadro de Oscar Pereira da Silva. Museu Paulista/SP
 

Primeiro encontro entre lusitanos e nativos brasileiros, ocorrido na manhã de abril de 1500, na costa da Bahia. Cerca de 18 ou 20 índios(1) tupiniquins, todos alegres e amistosos, receberam os visitantes portugueses. Não sabiam os índios que os portugeses estavam chegando para tomar posse de suas terras.

Dizer que o Brasil foi “descoberto” por Pedro Alvares Cabral ( na tarde do dia 22 de abril de 1500) é historicamente incorreto, vez que o território brasileiro, naquela época, já era povoado por inúmeras nações indígenas. Dois documentos oficiais, a Carta de Caminha (cujo texo não manifesta surpresa com a chegada) e o Tratado de Tordesilhas (seis anos antes dividindo as terras além do oceano atlântico) comprovam que o continente sul-americano já era conhecido por navegantes portugueses e espanhóis.

No dia 2 de maio, uma das naus retornou a Portugal, levando um minuncioso relato sobre a terra brasileira. No mesmo dia, Cabral seguiu com destino às Índias. Em terra ficaram dois degredados (futuros informantes) e dois marinheiros desertores ( enlevados, talvez, pela graciosidade das nativas).

Para comparar: no final da Carta de Caminha, o primeiro sinal de nepotismo à moda brasileira (um pedido de favorecimento para um genro do repórter da viagem).

 


 



Fig.2 (Gravura do “descobridor”).

 

No Brasil, Cabral foi cordial com os índios, porém, em Calicute (Índia) agiu como um tirano, bombardeando a cidade, queimando naus e massacrando gente muçulmana.

 

 

 


 

Fig.3 (Brasão da Família Cabral).

 

O brasão, com a representação de cabras (animais valentes e leais, comuns na região das Beiras, Portugal) indica que a Família Cabral era influente na Corte Portuguesa.

 


 


 

Fig.4 (Igreja do Carmo, Rio de Janeiro).

 

Para transladar o esqueleto “oficial” de Cabral para esta igreja(2), o governo brasileiro providenciou uma “montagem” com peças de oito ossadas encontradas no jazigo da família Cabral(3), na igreja da Graça, Santarém.

 

 

 

 


 

Fig.5 (Papa Alexandre VI).

 

Este papa, de nacionalidade espanhola, assinou o Tratado de Tordesilhas,em 1494. Para ele, as terras do Novo Mundo deveriam ficar sob o domínio de dois países católicos, Espanha e Portugal.

 

 

 


 

Fig.6 (A rota de Cabral).

 

A passagem da expedição de Cabral pela costa do Brasil foi resultado de um plano concebido para confirmar a existência das terras brasileiras e oficializar a sua posse.

 

 


 

Fig.7 (Índios a bordo).

 

Dois índios foram levados à presença de Cabral. Depois de transcrever um longo diálogo, por mímicas, entre Cabral e os dois nativos, diz Caminha: "E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir..."(4)

 

 


 

Fig.8 (Marco histórico).

 

No dia 26 de abril, Frei Henrique Soares(5) rezou a primeira missa em solo brasileiro, onde hoje é a praia de Coroa Vermelha, em Porto Seguro.

 

 

 

 


 

Fig.9 (Fragmento da Carta de Caminha).

 

O documento inicial da História do Brasil(6) registra o primeiro de caso de tráfico de influência à moda brasileira: um pedido de favorecimento para um genro(7) de Pero Vaz de Caminha, condenado por crimes de furto e extorsão.

 

 

 


 

Fig.10 (Mapa do Brasil, 1519 ).

 

Este documento, uma representação antiga do território nacional, mostra a exploração do pau-brasil(8), primeiro produto brasileiro levado para a Europa.

 

 

 

 


 

Fig.11 (Réplica da nau de Cabral).

 

Para a “Festa” dos 500 anos, o governo gastou 3.5 milhões de reais na costrução de uma réplica da nau Capitânia. Pronta, não conseguiu fazer o trajeto entre Salvador e Porto Seguro. Antes de afundar foi rebocada.

 

 

 

NOTAS:

  1. Quantidade registrada na Carta de Pero Vaz de Caminha (História do Brasil, vol. I, p. 65, Pedro Calmon, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1961).



  2. A Igreja do Carmo fica localizada na Av. 1º de Março esquina com 7 de Setembro, na Praça XV, Centro, Rio de Janeiro.




  3. Túmulo da família Cabral, localizado na Igreja da Graça, em Santarém, Portugal quando foi aberto ( em 1903 ) continha oito ossadas: seis masculinas, uma feminina e uma de criança ( BR 500, um Guia para a Redescoberta do Brasil, p. 134, Chico Alencar, Editora Vozes, Petrópolis, 1999.




  4. O historiador Agassiz Almeida, ao discorrer, criticamente, sobre os aspectos sociopalíticos da Carta de Pero Vaz de Caminha, afirma que os dois nativos não tinham motivos para dormir naquela ocasião. Segundo ele, os dois nativos “foram embriagados ou drogados” ( 500 Anos do Povo Brasileiro, uma visão crítica, vol. I, p. 97, Editora Paz e Terra, 2001 )




  5. A frota de Cabral incluía uma tripulação de, aproximadamente, 1500 pessoas, entre as quais, oito frades e oito cléricos franciscanos, 1200 homens de armas, pilotos, intérpretes, marujos, grumetes e muitos degredados. ( História do Brasil, vol. I, p. 19, Rocha Pombo, W.M. Jacson Editores, Rio de Janeiro).




  6. O original da Carta de Caminha está guardado na Gaveta 8ª, Março 2º, Número 8, Arquivo Nacional Português, Torre do Tombo, em Lisboa, Portugal (História Geral do Brasil, vol. I, p. 87, Francisco Adolpho de Varnhagen, Editora Companhia Melhoramentos, 3ª edição integral, s.d., São Paulo).



  7. Jorge de Osório, casado com uma filha de Pero Vaz de Caminha, cumpria pena de exílio na Ilha de São Tomé, atual Gabão, África ( Chico Aguiar, op. cit., p. 65 ).



  8. Embora tenha sido oficialmente designado como “espécie em perigo de extinção”, pela Portaria 006/92-IBAMA, o Pau - Brasil continua sendo derrubado clandestinamente para a fabricação de violinos ( PAU-BRASIL, p. 257, Eduardo Bueno/organizador, Axis Mundi Editora, São Paulo, 2002 ).

 
 

FILMOGRAFIA

O descobrimento do Brasil, 1937. Direção e roteiro de Humberto Mauro. Adaptação para o cinema da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, Dom Manuel. O cineasta propõe uma interpretação desse fato histórico. O filme reproduz os fidalgos cobertos de veludo, a missa, a dança dos índios, etc. Na trilha sonora, musica de Villa-Lobos.



CRÉDITO DAS IMAGENS: Fig.2
(Retratos e Elogios dos Varões e Damas, Lisboa. Adaptado por Cláudio Magno).
Fig.3 (Reprodução in História do Brasil, Pedro Calmon, vol. 1. Livraria Jpsé Olimpio Editora, 1959).
Fig.4 (Foto de Cláudio Bueno. Cortesia de: Luiz Carlos / Rio de Janeiro).
Fig.5 (Gravura in os 30 Papas que Envergonharam a Humanidade, Jeovah Mendes. Edições Tábuas da Lei, Fortaleza/CE ).
Fig.6 (Ilustração de Claúdio Magno / Layout de J. C. Linhares).
Fig.7 (Óleo de Oscar Pereira da Silva. Museu Paulista / SP).
Fig.8 (Local da primeira missa , Porto Seguro/BA).
Fig.9 (Reprodução in Grandes Personalidades da Nossa História, vol. 1, Abril Cultural, 1969).
Fig.10 (Mapoteca do Itamaraty).
Fig.11 (Revista Veja, 3/5/2000,Ffoto de Wilson Besnisk / A Tarde).