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OS ÍNDIOS REZAM



Segunda Missa. Obra de Vitor Meireles. Museu Nacional de Belas-Artes/RJ.

 

No dia 1º de maio foi celebrada a segunda missa no Brasil, sob a égide de uma grande cruz de madeira, construída com a ajuda dos nativos. A cerimônia religiosa (com a presença das armas e da divisa da Coroa Real Portuguesa) sinalizava a tomada de posse da nova terra.

Imitando os gestos dos portugueses, cerca de 50 a 60 índios(1) assistiram à missa rezada pelo franciscano Frei Henrique Soares. Essa gente “de grande inocência... desprovida de maneiras para encobrir suas vergonhas, precisava ser salva pela Santa Fé Católica”, disse Caminha na carta endereçada ao venturoso Rei.

A dita “salvação”, profetizada na longa correspondência de Pero Vaz de Caminha, datada de primeiro de maio de 1500 (hoje guardada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo / Lisboa), veio depois por meio da escravização, da “guerra justa” e do genocidio em massa dos índios brasileiros(2).



 

Figs.293/294 (Nos primórdios a terra era dos nativos...aí chegaram os invasores).

Fig.293

 

Calcula-se que em 1500, viviam no Brasil de um a cinco milhões de indígenas. Hoje, restam 350 mil, sobrevivendo em condiçõrs precárias e sob a ameaça constante de garimpeiros, posseiros e proprietários de grandes madeireiras e mineradoras(3).

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Fig.295 (Mudança forçada de crenças).

 

 

Com a chegada dos colonizadores portugueses começou a tragédia indígena: invasão, matança, escravização e doenças(4).

 

 



 

Fig.296 (”Soldados” índios conduzindo índios aprisionados).

 

 

Uma vez civlizados, os gentios eram forçados a trabalhar para os colonizadores. Esta gravura do pintor francês Jean Baptiste Debret mostra duas mulheres indígenas atadas pelo pescoço e um grupo de crianças atemorizadas, sendo conduzidas para o mundo dos brancos.

 

 


 

Fig.297 (500 anos ou 500 danos?).


Fig.298 (Terras indígenas brasileiras).

Fig.299 (Riquezas minerais na Reserva Ianomâmi).

Fig.300 (The Next...).

 

 

Você concorda, parcial ou totalmente, com a demarcação das terras indígenas brasileiras?

A seguir, 4 pontos controvertidos da questão: (1) Para os participantes do 1º Encontro das Nações Indígenas (Declaração Indígena de Altamira), a Mãe Natureza deve ser respeitada por constituir o chão sagrado dos povos indígenas. A Terra, considerada sítio sagrado dos seus ancestrais, não pode ser violada    Para determinados segmentos da sociedade brasileira, as terras indígenas devem ser destinadas, também, ao uso público: usinas hidrelétricas, estradas, extração de minérios e outras demandas sócio-econômicas, como a expanção de áreas agrícolas, assentamento dos sem-terras e reforma agrária. (2) As comunidades indígenas tem um modo de vida peculiar ( vivem de produtos naturais dispersos na floresta) que exige migração num espaço amplo e contínuo   Tal migração (diga-se peranbulação) é um pretexto para acorbertar o interresse por regiões onde há riqueza mineral no subsolo. (3) A imensa Reserva Indígena dos Ianomâmis (com uma área aproximada de 9 milhões e 300 mil hectares de terras contínuas) proporciona, folgadamente, um espaço fisíco de 3 mil hectares para cada índio   Essa região, situada na fronteira com a Venezuela e demarcada em 1991, após forte pressão internacional (grandes jornais dos EUA e da Europa, entidades ecológicas financiadas pelo G-7 e até boicote do Banco Mundial, suspendendo empréstimos ao Brasil) esconde no seu subsolo o maior jazimento primário de ouro e diamante do Brasil, além de outros minérios estratégicos, de interesse dos países ricos. (4) A política indianista de outros países, no caso dos EUA ( onde a população indígena remanescente está integrada ou confinada em reservas nacionais) e do Canadá (onde os esquimós ganharam um território de quase 20% da área do país) tem sido apontada como exemplo a ser seguido para a proteção dos nativos e legalização de suas terras    Naqueles países, o processo de ocupação das terras indígenas e a matança dos nativos já findou. No Brasil, a questão indígena até hoje não foi resolvida. Os nativos continuam sob invasões, conflitos e interferência estrangeira. “Missionários” estrangeiros e ONGs internacionais (de origem desconhecidas) são as principais interessadas na delimitação das terras indígenas brasileiras, exatamente onde estão localizadas ricas jazidas minerais ainda não exploradas(5).

 

   
   
 


 

NOTAS:

  1. A Carta de Caminha informa que “perto de 50 ou 60” nativos assistiram, “todos de joelho”, à missa rezada no dia 1º de maio. No cenário da célebre tela de Victor Meireles ( em exibição permanente no site www.expo500anos.com.br ), a quantidade de índios mencionada é quase fiel à Carta; todavia, com relação à postura dos nativos ali retratada, muitos estão de pé, alguns sentados, um deles está de costas para o altar, dois estão trepados numa árvore e uma índia, semi-deitada, amamenta um indiozinho (Projeto Brasil Urgente, site www.expo500anos.com.br).



  2. É uma verdade estabelecida para a maioria dos brasileiros que a história do país foi inaugurada em 22 de abril de 1500. O que aconteceu antes disso, domínio da “pré-história”, seria um pouco vago e na verdade irrelevante para o posterior desenvolvimento do Brasil, merecendo poucas páginas nos livros didáticos. Ao contrário dos países da América Espanhola onde “conquista” é o termo utilizado para designar a ocupação européia, tal processo é no Brasil conhecido como “descobrimento”, o que revela o preconceito e desconhecimento sobre as populações indígenas do Brasil e sua história ( A Temática Indígena na Escola, Aracy Lopes da Silva e Luis Donisete Benzi Grupioni/ organizadores, artigo de Eduardo Góes Neves, p. 171, Global Editora, S. Paulo, 1998).




  3. O número atual de indígenas no Brasil situa-se por volta de 350 mil, cerca de 0,2 % da população brasileira. A maior parte está concentrada na Amazônia - especialmente no estado do Amazonas ( 95 mil ) -, embora existam inúmeros grupos no Nordeste (55 mil ) e no Centro-Sul ( 120 mil dos quais 55 mil apenas no Mato Grosso do Sul). ( Brasil Sociedade & Espaço, p. 170, 31ª edição, 3ª impressão, J. William Vesentini, Editora Ática, São Paulo, 2002).




  4. O processo de extermínio das populações indígenas no Brasil pode ser explicado pelas diferentes experiências de contato com o colonizador branco, e não só pela escravidão. O contato com as doenças trazido da Europa teve o efeito de uma verdadeira guerra. O europeus passaram séculos sendo assolados por epidemias e pestes vindas de todas as regiões do mundo e, por isso, desenvolveram resistência a essas doenças, que vão desde a gripe até a varíola e a sífilis. Tais doenças, que nunca fizeram parte da vida da floresta, alastraram-se ente os índios, dizimando aldeias inteiras ( Nossa Gente Brasileira, Jurandir Malerba e Mauro Bertoni, p. 23, Papirus Editora Capinas, SP, 2001).




  5. O Estatuto do Índio diz que “cabe ao Estado garantir os usos e costumes indígenas, bem como propiciar-lhes uma educação que vise à sua verdadeira integração na sociedade nacional”. Como se vê, ele é contraditório, pois objetiva duas coisas opostas: integrar o índio na sociedade brasileira, o que significa transforma-lo em “cidadão”e fazê-lo aprender o português e o trabalho para a economia nacional; e preservar seus costumes, sua cultura, identidade étnica. Fazer uma implica, logicamente, negar a outra ( J.William Vesentini, op. cit., p. 172).


 

FILMOGRAFIA:

Avaeté, semente da vingança. Direção: Zelito Viana. 1985.
O filme reproduz, com base em dados reais, a história de um sobrevivente dos índios Avaeté. A exploração das terras indígenas, o papel da Igreja nos conflitos de terra e a violência no campo são os temas principais focaliza dos no filme.


CRÉDITO DAS IMAGENS: Fig. 293 (A Grande História do Brasil vol. 1, Abril Cultural). Fig. 294 (Charge de Lancaster Fernandes Santos/ 2º Salão Nacional de Humor, Unacon 1999). Fig.295 (História do Brasil, vol. 1, de Claúdio M. Thomas). Fig.296 (Prancha de Jean Baptiste Debret in Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil). Fig.297 (Ilustração de Carvall, Revista Bundas nº 37, 29/02/2000). Fig.298 (Geoatlas, de Maria Elena Simielle). Fig.299 (Folha de São Paulo, de 20/08/1993/Panorama Geográfico do Brasil, de Melhem Adas e Sérgio Adas/Editora Moderna). Fig.300 (Charge: Cláudio Magno/Amauri, sobre layout de J.C. Linhares ).