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PAU-BRASIL




Fig. 21: (Gravura de André Thevet,1575. Museu Histórico Nacional/RJ).

A cobiça pelo pau-brasil vem desde o “achamento” do Brasil


Fig. 22 (Corte do Pau-brasil. Detalhe do relevo L'Isle du Bresil, em Rouen. Bueno,2002).

Segundo Eduardo Bueno ( op. cit. ), os índios cortavam o Pau-brasil com machados e carregavam as toras nos ombros. Outros detalhes: tamanho e peso das toras: 1,5m e 30kg. Carregamento para a Europa: Cada embarcação levava em média, 5 mil toras. Árvores derrubadas: cerca de 70 milhões de pés (3 mil toneladas por ano), durante os três primeiros séculos da nossa História.

 

 

EXPLORAÇÃO DO PAU-BRASIL
Durante o período pré-colonial, a ocupação portuguesa, a atividade econômica básica e a mão-de-obra nela empregada caracterizavam-se, respectivamente, pelas feitorias, exploração do pau-brasil e trabalho índigena sob forma de escambo.

FERNANDO DE NORONHA
Nessa fase inicial da História do Brasil, em que a terra não oferecia lucros imediatos, Portugal arrendou os direitos de comercialização do pau-brasil a um grupo de ricos comerciantes portugueses, liderados por Fernando de Noronha. Afora esse arrendamento, o interesse de Portugal em relação ao Brasil, até 1530, limitou-se ao envio de algumas expedições destinadas ao reconhecimento da costa brasileira e ao combate a incursões estrangeiras.

COSTA DO PAU-BRASIL
A denominação de “Costa do Pau-brasil”, dada ao trecho do litoral brasileiro compreendido entre o Cabo de São Roque e Cabo Frio, demonstra a importância que a exploração dessa madeira desempenhou durante os trinta anos que se seguiram à viagem de Cabral. Essa primeira atividade econômica - sem nenhum investimento na nova terra - trouxe, como consequência: a devastação de toda a floresta de pau-brasil existente no litoral e a eliminação das comunidades indígena que ali viviam.


 



Fig.23 (Primeiros momentos de reconhecimentos da costa brasileira. Adaptado de
Saga, A Grande História do Brasil, vol 1, Abril Cultural, 1981).

 

PRIMEIRA EXPEDIÇÃO PORTUGUESA
Quatro dados significativos foram levantados pela primeira expedição portuguesa (organizada em 1501) para explorar as possibilidades econômicas da nova terra: 1) a terra não era uma ilha, mas um continente, daí a mudança do seu nome para Terra de Santa Cruz; 2) área litorânea habitada por nativos, vivendo da caça, pesca e agricultura rudimentar, sem conhecimento da escrita, roda, pólvora e domesticação de animais; 3) existência de grande quantidade de Pau-brasil no litoral, único produto de valor econômico encontrado; 4) identificação de acidentes geográficos de acordo com o santo do dia. Assim, surgiram nomes que até hoje permanecem ( Cabo de São Roque, Cabo de Santo Agostinho, Baía de Todos os Santos, Rio de Janeiro e outros).

O BATISMO FALSO DO RIO DE JANEIRO
O nome RIO DE JANEIRO surgiu por engano. O comandante da primeira expedição de reconhecimento da costa brasileira ao chegar (em janeiro de 1502) à baia de Guanabara deu-lhe o nome de Rio de Janeiro pensando que esta era a foz de um grande Rio.


 

Fig.24 (Combate a corsários na costa do Brasil. Gravura de Teodore Bray. Museu
Histórico Nacional / Rio)

.As notícias sobre a violência mostrada por esse navegante (Cristovão Jaques) contra os marinheiros bretões procedem quase sempre de fontes francesas, pois, na versão mais difundida entre autores portugueses os trezentos marinheiros, pretensamente mortos e supliciados em Pernambuco, teriam sido embarcados para Lisboa. De qualquer modo, os protestos surgidos e as respostas que provocaram indicam que Cristóvão Jaques não fora um modelo de benignidade (Holanda, op.cit).

 

 

CORSÁRIOS FRANCESES
A presença de corsários estrangeiros, especialmente franceses, no litoral brasileiro levou Portugal e empreender as chamadas expedições guarda-costas de 1516 e 1526, chefiadas por Cristovão Jaques. Na missão de patrulhar a costa brasileira, esse navegador português agiu com rigor, atribuindo-se a eles atos de extrema crueldade contra os franceses. Mesmo assim, continuaram as incursões estrangeiras na terra das aves exóticas e índios nus. Interesse em roubar madeira ou ocupar a Casa de Mãe Joana? Como é sabido, franceses, ingleses, holandeses e outros povos europeus não aceitavam a divisão do Novo Mundo entre os dois monarcas ibéricos.

 



 

Fig. 25 (Especimens de pau-brasil. Praça do Ferreira.Fortaleza/CE. Foto de Marco
Antônio Benevides Linhares).

Fig. 26 (Primeiro Brasão da Colônia / Acervo: Projeto Brasil Urgente).

O primeiro brasão de armas do Brasil (um pé de Pau-brasil e uma cruz) faz alusão a principal riqueza da terra e ao primeiro nome do país.

 

ÁRVORE NACIONAL
A planta Pau-brasil, denominada ibirapitanga pelos índios e conhecida na botânica por Caesalpinia echinata lam, apesar de seu significado histórico, somente em 1978 foi oficialmente declarada árvore nacional. Mesmo assim, o vegetal que emprestou seu nome a nossa pátria permanece desconhecido pela grande maioria da população brasileira, inclusive estudantes e professores de História. Estima-se que 98% da população brasileira não conhece o Pau-brasil.

PROPOSTAS DO PROJETO BRASIL URGENTE
Para garantir a sobrevivência da planta que emprestou seu nome ao Brasil, difundir o seu conhecimento entre os estudantes brasileiros e resgatar o seu significado histórico, o Projeto Brasil Urgente propõe: (1) a implantação e a manutenção de “Bosques de Pau-brasil” em áreas reservadas de todos os jardins botânicos do país; (2) a promulgação de uma Lei Federal obrigando o plantio de um par de Pau-brasil nos pátios de escolas públicas e privadas, em todo o território nacional; e (3) a retirada do Brasão Nacional, lado esquerdo, do ramo de fumo ( Nicotiana tabacum , planta de origem alienígena que deu nome a Ilha de Tabago, nas Antilhas, cujas folhas contêm substâncias cancerígenas), substituindo-o por um ramo florido da Árvore Nacional , árvore-símbolo do nosso país.

 


 

Fig. 27 (Brasão da República Federativa do Brasil / Reprodução).

Brasão idealizado por um estrangeiro. Injustificabilidade na inclusão de um ramo de fumo. Proposta para alteração.

 

BRASÃO (ARMAS NACIONAIS)
O Brasão Nacional ( idealizado pelo engenheiro alemão Arthur Sauer, a pedido do Marechal Deodoro da Fonseca ) é formado por um escudo redondo azul, contendo em seu interior cinco estrelas brancas, representando o Cruzeiro do Sul (visto do Rio de Janeiro, à época da proclamação da República). Nas laterais circulares do escudo, 27 estrelas iguais, também brancas, representam os 27 Estados brasileiros. O escudo se apóia em uma grande estrela desenhada nas cores nacionais (verde e amarelo), simbolizando a vastidão e a exuberância da terra brasileira. Uma espada, em posição vertical ( enfiada até o cabo na estrela-escudo ), marca a presença dos militares no golpe que derrubou a Monarquia, em 1889. No punho da espada, num quadrado vermelho (?), uma estrela branca simboliza o Distrito Federal. Abaixo da estrela-escudo, sobre dois filetes azuis, aparecem o nome oficial do Brasil e a data de proclamação da República. O conjunto estrela-escudo-espada tem ao fundo os raios de uma auréola dourada. As laterais do conjunto estão ornamentadas, à esquerda, por um ramo florido de fumo, e à direita, por outro ramo frutificado de café, unidos na parte inferior por um pequeno laço de fita azul. O ramo de café está simbolizando a riqueza nacional que marcou a economia brasileira, à época do Segundo Reinado e início da República. O ramo de fumo, nem tanto. Historicamente, não existe justificativa plausível para a sua inclusão no Brasão da República Brasileira. Além de ser uma planta alienígena ligada ao nome de um país estrangeiro, suas folhas contêm substâncias narcóticas (e cancerígenas) combatidas pela sociedade brasileira. Como explicar o fato do governo brasileiro fazer campanhas oficiais contra o fumo e ao mesmo ostentá-lo na sua arma nacional? A sugestão de exclusão do ramo de tabaco e a inclusão de um ramo florido de Pau-brasil no Brasão da República ( vide proposta do Projeto Brasil Urgente, neste painel) encontra respaldo também num fato histórico: a Árvore Nacional, assim reconhecida pela Lei Federal nº 6.607/78 (publicada no Diário Oficial, de 12.12.1978), já foi, no início da nossa História, representada no Brasão da Colônia, como símbolo da primeira riqueza brasileira ( vide fig. 26).

 


 

Fig. 28 (Quatro graciosas índias tomam banho. Na espreita, dois possíveis capturadores / Desenho de Ivan Wash Rodrigues para obra de Gilberto Freire).

Em 1511, Fernão de Noronha levou, clandestinamente, para a Europa um imenso carregamento de Pau-brasil, cerca de cinco mil toras. Mas, isso não foi tudo. O espertalhão português, protegido pela Inglaterra, onde mantinha negócios espúrios, levou ainda papagaios, araras, tuins, sagüis, gatos selvagens, peles e 35 indígenas, entre os quais, 23 índias. Estranhamente, esse fato não consta nos livros didáticos brasileiros, embora esteja registrado nas obras clássicas de História do Brasil de Francisco Adolfo de Varnhagen, Pedro Calmon e Sérgio Buarque de Holanda. A Enciclopédia Delta de História do Brasil, volume VI (páginas 1441/1444, edição de 1966), aborda o assunto, de forma detalhada e com ilustrações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 29 (Flor, Folhas, Fruto e Semente do Pau-brasil. Museu de História Natural de Paris).

Flor: amarela, perfumada, corola com cinco pétalas, sendo a pétala maior com mancha vermelho-escura no centro; cálice gamossépalo; dez estames livres, desiguais; ovário piloso; inflorescência em cacho.

Folha: alterna, composta, bipinada, de folíocolos ovais, miúdos, formando folhagem densa verde-escuro brilhante.

Fruto: vagem deiscente (que se abre liberando as sementes), espinescente coberta de saliências.

Semente: achatada, elíptica, marrom castanho lisa, de 1,0cm de diâmetro por 0,3mm de espessura, de 1 a 3 por fruto (Aguiar e Pinho, 1986, op. cit.).

 

 

 

 

 

 

Fig. 30 (Sementes do Pau-brasil / Bueno, 2002, op. cit.).

As sementes são obtidas colhendo-se os frutos (vagens) diretamente da árvore quando iniciam a abertura espontânea. Em seguida, deve-se levá-las ao sol para completar a abertura e a liberação das sementes. Estas, quando frescas têm alto poder germinativo (Aguiar e Pinho, 1986, idem).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 31 (Distribuição geográfica do Pau-brasil, no território nacional / Mapeamento: Franscimar F. A. Aguiar).

Atualmente o Pau-brasil ainda pode ser encontrado, em estado silvestre, nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro (Aguiar, F.F.A e R.A. Pinho, 1986. Pau-brasil / Caesalpinia echinata Lam. / Instituto de Botânica / SP).

 

 

 

 

 

Fig. 32 (Ramo florido do Pau-brasil / Acervo: Projeto Brasil Urgente).

 

 

 

 

 

 

Fig. 33 (Pau-brasil. Idade: 31 anos. Pátio da Biblioteca da UNIFOR / Foto: Karine).

Exemplar jovem adulto de Pau-brasil, plantado, na época da inauguração da Universidade de Fortaleza (1973). A localização da planta, no coração da Universidade (em frente à Biblioteca e ao lado do Centro de Convivência da Escola) demonstra o grande carinho que o falecido chanceller cearense tinha pela esquecida árvore brasileira. Neste local privilegiado ocorre (anualmente, nos meses de julho e dezembro) a colação de grau dos graduandos da Universidade. Na foto, tirada instantes antes da colação de grau de julho/2004, a planta está literalmente no meio das comemorações, chamando atenção de todos os estudantes.

 

 

 

TESTEMUNHA DA NOSSA HISTÓRIA

Esbelta e elegante. Silenciosamente, Ela testemunhou a chegada dos invasores. Ao ser descoberta, foi abatida e transformada numa grande cruz. Depois da santa missa, Ela foi torturada impiedosamente. Sua casa foi devastada, destruída. Seu corpo, em pedaços, foi carregado para o Velho Mundo. Todos queriam seu sangue. Mais de três séculos, Ela resistiu. Sobreviveu. Caiu no esquecimento. Hoje está protegida pelas autoridades. Sua vida ainda corre perigo ! Este relato metafórico conta a trágica história da planta que emprestou seu nome a nossa Pátria. Cerca de 98% dos brasileiros não a conhecem. Sua data comemorativa (7 de dezembro) sequer é lembrada no meio estudantil. A Lei Federal (de 1978), que a declarou Árvore Nacional também é desconhecida pela grande maioria da população brasileira. O grande público também não sabe que, embora em pequena escala, toras dessa planta estão sendo contrabandeadas para o exterior (EUA, França e Alemanha), onde são utilizadas na confecção de arcos de violino. A cobiça do vegetal para esse fim, vem desde o século XVIII, quando os músicos profissionais descobriram a boa flexibilidade e a suave sonoridade da madeira. Nas preciosas qualidades tonais e na beleza de um Stradvarius, feito da madeira brasileira, ressoa o gemido lancinante de uma árvore rara caindo no chão, indefesa ! A pilhagem da árvore para extração de tintas e construção naval remonta à época do “achamento” do Brasil, em 1500. Estimam alguns historiadores nacionais que cerca de 70 milhões de pés (mais de três mil toneladas de toras por ano) foram derrubados durante os três primeiros séculos da nossa História (Bueno, 2002). Uma floresta inteira existente entre o Rio Grande do Norte e o Rio de Janeiro sumiu do litoral brasileiro. Isso, sem contar com a total eliminação das comunidades indígenas que ali viviam. O comércio da madeira nobre constituiu o primeiro monopólio estatal de Portugal. Só a Metrópole podia explorar (ou terceirizar) o empreendimento (Souza, 1939). Fernando de Noronha, um apadrinhado da nobreza portuguesa, foi o primeiro devastador “oficial” da nossa floresta nativa. Foi ele também uns dos primeiros a utilizar o trabalho escravo indígena no corte e no transporte de toras da madeira até as Feitorias. Depois de enricar com o “contrato” milionário, sem deixar uma só benfeitoria na terra explorada, Fernando de Noronha organizou e financiou uma expedição clandestina à costa brasileira, retornando para a Europa (1511), com um grande carregamento de toras, aves, animais exóticos, como, papagaios, araras, tuins, macacos, gatos selvagens, peles e 35 indígenas, entre estes, 23 graciosas índias (Varnhagen, 1906; Calmon, 1959 e Holanda, 1973). O contrabandista e traficante português, que mantinha negócios espúrios na Inglaterra, ganhou pelos “relevantes” serviços prestados, uma ilha brasileira (Arquipélago) que hoje leva seu nome. Mais tarde, em 1872, quando a árvore já estava escassa (só localizada a mais de 150 quilômetros da costa), a exploração da madeira passou à iniciativa privada. A devastação das últimas reservas continuou de forma desordenada e selvagem. Hoje, a planta está listada no IBAMA como espécie ameaçada de extinção. Antes que seja tarde demais, nós, brasileiros e brasileiras, devemos resgatar e preservar a esquecida testemunha da nossa História. Para isso, precisamos conhecê-la. Seu nome popular: Pau-brasil. Os nativos brasileiros chamavam-na de ibirapitanga (ybirá, pau; pitanga, vermelho). Seu batismo científico ocorreu em 1785, quando o botânico francês, Jean-Baptista Lamark, ao estudar um espécime, coletado provavelmente no Rio de Janeiro, denominou-o de Caesalpinia echinata, seguindo a nomenclatura binária, estabelecida pelo sueco Karl von Linneu, alguns anos antes. Caesalpinia é uma homenagem ao botânico italiano Andrea Cesalpino, autor de um dos primeiros sistemas científicos de classificação botânica. Echinata, com inicial minúscula, significa “cheio de espinhos”, uma alusão aos muitos espinhos presentes na parte externa do seu fruto e aos acúleos existentes no troco e nos galhos das árvores jovens. Lam, com inicial maiúscula, escrito depois das duas palavras latinas, é a abreviatura de Lamark. O espécime originariamente estudado por Lamark está sob a guarda do Museu de História Natural de Paris. A Caesalpinia echinata Lam. é uma espécie de porte arbóreo mediano, cuja altura varia de 10 a 20 metros. A árvore possui casca pardo-acinzentada ou pardo-rosado nas partes destacadas e cerne vermelho, cor de brasa. O diâmetro do tronco de uma árvore adulta fica entre 30 a 50 centímetros, raras vezes atingindo 70 centímetros. Sua longevidade, ainda controversa, gira entre 400 e 500 anos. Um exemplar de Pau-brasil, sobrevivente,encontrado em Pernambuco (Reserva de Tapacurá), vem provavelmente da época da visita de Pedro Álvares Cabral. A planta cresce lentamente, em média, 60 centímetros por ano. Desde jovem, o vegetal apresenta uma elegante copa arredondada, com folhas miúdas sempre verde-escuras brilhantes. A primeira floração da planta cultivada ocorre entre 3 e 4 anos. Nos exemplares naturais, é bem mais demorada. A floração e a frutificação (de 10 a 15 dias) acontecem nos meses de setembro/outubro (Sul) e outubro/novembro (Nordeste). As flores, na cor amarela, exalam um adorável aroma cítrico, levemente adocicado. Estas permanecem abertas por apenas 12/24 horas. A polinização, ainda em estudos, se dá por meio de abelhas italianas (Aguiar, 2004). Os frutos, quando amadurecidos, dispersam as sementes (cada fruto desenvolve de uma a três sementes) nas redondezas da planta-mãe. Os possíveis agentes predadores da planta são os cupins e as formigas. Os tempos nunca foram frondosos para o Pau-brasil. A primeira riqueza brasileira, saqueada pelos europeus, mereceu do botânico Haroldo Cavalcante de Lima (in Bueno, op. cit.), a seguinte observação: “em nenhum instante da História do país (Colônia, Império ou República), os brasileiros puderam ter acesso ao Pau-brasil para uso prático, estudos botânicos ou desfrute estético. É uma espécie que, de certo modo, foi “seqüestrada” do convívio com o povo. É a imagem de uma riqueza que sempre foi nossa e nunca pôde ser nossa” .



10 FATOS CURIOSOS SOBRE O PAU-BRASIL

 

1. A copa verde do Pau-brasil, na época da floração, carregada de flores amarelas, lembra o Pavilhão Nacional.

2. Um exemplar de Pau-brasil encontrado no sul da Bahia, tem, provavelmente, a mesma idade do Brasil, 500 anos.

3. Para transportar toras de Pau-brasil nos ombros, os índios recebiam pedaços de pano, espelhos, facas, machados e outras quinquilharias.

4. A cor vermelha era a preferida da realeza européia em suas vestimentas. Daí a utilização do corante vermelho extraído da madeira brasileira para o tingimento das roupas da época.

5. Em 1856, um jovem químico de apenas 18 anos, chamado Henry Perkin, sintetizou um corante artificial (a malveína) que substituiu, de vez, o Pau-brasil, no tingimento de roupas.

6. O violino feito de Pau-brasil é considerado o melhor do mundo.

7. Ao longo do século XVI, o corante do Pau-brasil era utilizado no tingimento de ovos de páscoa e na fabricação de um tipo de pasta de dente.

8. Em 1827, D. Pedro I enviou à Londres, cerca de três toneladas de toras de Pau-brasil para leiloá-las e obter dinheiro para o pagamento de juros da dívida externa brasileira.

9. Na década de 70, as exportações de Pau-brasil para os EUA, França e Alemanha chegaram a ordem de 50 toneladas/ano.

10. Na cidade de Fortaleza (Bairro de Parangaba) existe uma Rua com o nome Pau-brasil. Na citada Rua, não existe nenhum exemplar de Pau-brasil.


ÁRVORES DERRUBADAS E QUEIMADAS

Nas Efeméridas Brasileiras, informa o Barão do Rio Branco que em janeiro de 1504, D. Manuel fez, por carta, doação a Fernando de Noronha da Ilha (Arquipélago) que hoje leva seu nome. Dita doação foi confirmada “por duas vidas” por D. João III (1522). Tais atos seriam, mais tarde, renovados em favor de um neto do donatário, portador do mesmo nome. Despovoada, a Ilha reverteu à Coroa Portuguesa nos tempos coloniais. Colônia Penal em meados do século XVIII, passou com a Independência à jurisdição do Ministério da Guerra, e em 1877 à do Ministério da Justiça. Para evitar a fuga de presos (possivelmente construção de balsas), as “autoridades” legais mandaram derrubar e queimar todas as árvores da Ilha. Hoje, recobre o local uma vegetação arbustiva de reduzido número de espécies. O crime praticado contra o ambiente restou esquecido. (A Pátria amada sumiu, imagens e textos ocultados pela História, de J.C. Linhares, no prelo).


 

Fig. 34 (Ocorrência do Pau-brasil na cidade de Fortaleza/Mapeamento: Projeto Brasil Urgente/ Julho/2004).

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 35/ (Pau-brasil. Idade 25 anos, aproximadamente/Pátio do Jornal O Povo/Foto:Karine).

Observa-se que o Pau-brasil está a uma pequena distância da planta à esquerda. Como o Pau-brasil cresce lentamente com o tempo, provavelmente, a sua copa não poderá se desenvolver em razão do crescimento rápido da planta vizinha.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 36/ (Ilustração, pág. 95, do livro PAU-BRASIL, edição 1925, de Oswald de Andrade/Acervo: Projeto Brasil Urgente).

Indiozinho com ramo florido de Pau-brasil na cabeça: uma alusão a nossa formação étnica e a árvore nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 37/ (Fax-símile da capa da obra de Bernardinho José de Souza, edição de 1939/Acervo: Projeto Brasil Urgente).

O Pau-brasil no curso da nossa História: testemunha e vítima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 38/ (Exemplar, 12 anos, de Pau-brasil existente no Parque Adail Barreto/Fortaleza-Ce).

Entre as 60 jovens plantas (12 e 25 anos) e as 110 mudas (4 e 10 anos) de Pau-brasil catalogadas em Fortaleza pelo Projeto Brasil Urgente, esta foi considerada a mais bela e bem cuidada da cidade.

Fig. 39/ (Exemplar, 25 anos, localizado no pátio do Palácio da Abolição(Av. Barão de Studart) Foto: Felipe.

Esta planta foi identificada como a mais visitada por turistas nacionais e estrangeiros .

 

 

 

 

O mapa ao lado mostra a ocorrência do Pau-brasil (cultivado) nas seguintes Praças, Avenidas e Ruas de Fortaleza:

Praça do Ferreira (Centro): três exemplares adolescentes (10 anos), entre eles, uma muda recém-plantada, sem cuidados, quase morrendo. Mais um exemplar (sete anos, bem cuidado) no prolongamento da Praça, no início da rua Gulherme Rocha.

2. Praça José de Alencar (Centro): três árvores adultas (40 anos), quase em frente ao Teatro (lado direito) e três mudas recém-platadas (4 anos) no Pátio do Teatro. Estas últimas necessitado de cuidados.

3. Praça Waldemar Falcão (Centro, perto da Agência Central dos Correios): duas árvores adultas (20 anos, uma delas com folhas amareladas, quase morrendo) e cinco outras jovens ( 6 a 7 anos). Estas raquíticas e malcuidadas.

4. Praça Cristo Redentor (em frente ao Centro Dragão do Mar): dois elegantes exemplares jovens (10 anos).

5. Praça José Bonifácio (pelo lado da Rua Antônio Pompeu, em frente ao 5º Batalhão da PM): seis exemplares jovens ( 6 a 10 anos), malcuidados, existindo formigueiros e muito lixo ao redor das plantas.

6. Praça do Mercado São Sebastião (pelo lado da Rua Clarindo de Queiroz): uma fileira de sete elegantes exemplares jovens ( 4 a 6 anos).

7. Rua Pessoa Anta / Aquidabã (calçadão do Centro Dragão do Mar): dois bonitos exemplares adolescentes (6 anos).

08. Rua Marcos Macedo, 222 (entrada do prédio da empresa J.Macedo) um exemplar jovem (10 anos, aproximadamente). A planta encontra-se abaixo da copa de uma grande Acácia, necessitando de cuidados especiais.

09. Rua Barão de Studart (Pátio do Palácio da Abolição): cinco exemplares jovens (20/30 anos).Um deles com a copa totalmente dilacerada e outro apresentando galhos secos e formigas no caule.

10. Av. Dom Manuel (na Praça do CDL em frente ao nº 1811): um exemplar jovem

(10 anos), quase morrendo. Planta raquítica, com as folhas amarelando. Outra exemplar igual, ao seu lado, nas mesmas condições, morreu.

11. Av. Aguanambi (Pátio do Jornal O POVO): um bonito exemplar, com aproximadamente 25 anos. Planta parcialmente coberta pela copa de outra árvore, pelo lado direito. Foi observado também que o caule do Pau-brasil se encontra totalmente entrelaçado por cipós de uma planta parasita. Isso prejudica em muito o lenho, a saúde e o desenvolvimento da planta-vitima.

12. Av. Aguanambi (em frente ao prédio do Comando da PM/CE): dois exemplares adolescentes (15 anos, aproximadamente). Um deles, com o caule crescendo de forma inclinada, necessitando de apoio.

13. Bosque Eudoro Correia (pelo lado da Av. Desembargador Moreira, em frente ao Hospital do Exército): cinco exemplares jovens (10 anos), todos sem cuidados, necessitando de poda e atenção.

14. Av. Desembargador Moreira (Pátio da Assembléia Legislativa): dois exemplares. Um deles, jovem adulto (25 anos), podado incorretamente e o outro (8 anos), bem cuidados.

15. Av. Dom Luís (esquina com Av. Desembargador Moreira, num cantinho da Praça Portugal, quase em frente ao BEC): uma bonita muda recém-plantada.

16. Av. Santos Dumont/esquina com Av. Rui Barbosa (estacionamento-jardim do restaurante Mcdonalds): uma fileira de cinco elegantes exemplares (oito anos, aproximadamente), plantados a uma distância de apenas 1.5 m uns dos outros.

17. Av. Padre Antônio Tomaz (em frente aos nºs 2110 e 2240): dois exemplares adolescentes (8 anos). Raquíticos e sem cuidados.

18. Rua Monsenhor Catão (em frente ao nº 1283): dois exemplares jovens (12 e 8 anos), malcuidados. O mais velho com parte da copa dilacerada.

19. Av. Pontes Vieira (em frente ao nº 1855): um exemplar (12 anos).

20. Parque Adail Barreto (ao lado da Av. Pontes Vieira / Parque do Cocó): quatro bonitos exemplares jovens (12 anos); dois exemplares adultos. Mais um (com mais de 60 anos e cerca de 10 metros de altura), apresentando fungos brancos nos galhos, necessitando urgentemente de podadura; e onze exemplares jovens, recém-plantados. Todos bem cuidados.

21. Av. Visconde do Rio Branco (em frente ao nº 3879 e no Pátio do prédio do IBAMA): dois exemplares adolescentes (10 anos, aproximadamente). A planta localizada no pátio do IBAMA apresenta uma elegante copa; enquanto que a outra, localizada na Rua, está atrofiada e raquítica.

22. Av. 13 de Maio (em frente ao 23º BC / Batalhão de Caçadores): um exemplar (07 anos), atrofiado, sem cuidados, necessitando de adubagem e atenção especial, vez que se encontra em local privilegiado.

23. Praça Martins Dourado (Papicu) : um bonito exemplar, 7 anos, bem no centro da praça. Bem cuidado.

24. Rua Andrade Furtado ( Papicú) : um exemplar, 10 anos aproximadamente, no pátio do prédio n º 1311. Bem cuidado.

25. Pátio Central da UNIFOR: um exemplar jovem adulto (31 anos) em frente à Biblioteca da Universidade e onze outras plantas adolescentes ( 7 a 10 anos), distribuídas elegantemente no interior do bosque da Universidade. Todos bem cuidados. Apesar dos cuidados, a planta em frente à Biblioteca necessita urgentemente de atenção especial, pois um lado da árvore está morrendo.

26. Praça em frente ao NAMI (Núcleo de Atenção Medica Integrada da Fundação Edson Queiroz/UNIFOR) : 11 bonitos exemplares, recém-plantados. Plantas e praça mantidas e conservadas pela Fundação Edson Queiroz

27. Pátio do Centro Administrativo do BNB (Passaré): cinco plantas adolescentes ( 10 a 15 anos) e oito jovens ( 05 a 07 anos). Uma dessas plantas (atrás do prédio) podada incorretamente, prejudicando o desenvolvimento da sua copa.

28. Propriedade dos herdeiros do historiador Raimundo Girão (atrás do Centro Administrativo do BNB): um bonito exemplar (30 anos, aproximadamente), plantado pelo falecido historiador cearense. O caule da planta se acha envolvido por cipós e ramos de plantas parasitas.

29. Horto Florestal do Município de Fortaleza (Passaré): uma pequena alameda com 25 jovens exemplares ( 07 a 10 anos). Todos bem cuidados. As plantas encentram-se a uma pequena distância entre si, prejudicando o crescimento de suas copas.

30. Parque da Paz (no final da pista de acesso, no interior do Cemitério): quatro exemplares adolescentes ( 07 a 09 anos). Bem cuidados.

31. Campus da UECE/Universidade Estadual do Ceará (ao lado do prédio do PRÓINFO): seis exemplares jovens (25 anos). Quatro deles precisando, urgentemente, de podadura e cuidados especiais em razão de focos de cupins existente nos caules e ramos destas plantas. Outro elegante exemplar (25 anos aproximadamente) localizado em lugar privilegiado (lado esquerdo da Pró-Reitoria de Extensão) com galhos apodrecendo e parte da bonita copa morrendo em consequência de doenças.

32. Av. Sen. Fernando Távora (próximo ao nº 210, em frente à sede do Fortaleza Esporte Clube): cinco bonitos exemplares adolescentes (07 anos), plantados e cuidados carinhosamente pelo cidadão João Ferreira de Souza. Esse cidadão oferece mudas e sementes aos interessados.

33. Av. José Bastos (no canteiro central, entre os nºs 2828 e 2856): um exemplar jovem (15 anos) e sete outros recém-plantados ( 04 a 07 anos). Malcuidados.

34. Av. Mister Hull (no Pátio da Faculdade de Agronomia da UFC): um exemplar adulto (30 anos), sem cuidados. A copa da planta está amarelando, apresentando galhos secos com sintomas de morte.

35. Rua Sgto. Hermínio (no calçadão, entre os nºs 2000 e 2148): quatro mudas recém-plantadas, sem cuidados.

36. Jardim Botânico (próximo a Caucaia): duas mudas recém-plantadas na entrada da Instituição. Uma delas bem cuidada, a outra nem tanto.

 

Obs.: Idade das plantas obtida por estimativa e informações locais.

 


 

 

INSTRUÇÕES TÉCNICAS PARA PLANTIO DE PAU-BRASIL

( por Francismar F. A. Aguiar / PqC )

(Ver ILUSTRAÇÕES DE A a J ABAIXO DO TEXTO)

Para o plantio de uma muda de Pau-brasil (a muda deve ter altura superior a 40cm), abrir uma cova de 60 x 60cm (A), separando a terra dos primeiros 30cm (B).

Essa porção de terra retirada da superfície (indicada no esquema pelo número 1) deve ser misturada com 30 litros de esterco de curral bem curtido, terra vegetal ou outro composto orgânico. A essa mistura devem ser adicionados, ainda, 1 kg de adubo químico (NPK, formulação 10:10:10) e 1 kg de farinha de osso (C).

Após misturar bem estes ingredientes, encher a cova com esta mistura (D). No centro da cova, abrir um buraco com o diâmetro do torrão (E).

Cortar o saco que envolve a muda, tomando-se cuidado para não desmanchar o torrão. Planta-se a muda e pressiona-se a terra em volta do torrão com as mãos (F). Feito o plantio, finca-se uma estaca ao lado do torrão até o fundo da cova e amarra-se a muda à estaca, com um cordão em forma de 8 (G).

Regar bem a muda com cerca de 10 litros de água (H). Fazer uma cerca de proteção em torno da muda, com madeira ou tela (I).

Pronto, a muda de pau-brasil está plantada, adubada e “protegida”.

Mas, para assegurar que ela tenha um bom desenvolvimento, não se pode esquecer de regá-la na época da seca, pelo menos duas vezes por semana; fazer adubação em cobertura duas vezes por ano, uma vez no início da estação chuvosa e outra antes do final desta estação. Para isso, utiliza-se adubo 10:10:10 (NPK), 500g, distribuindo-se na projeção da copa (J).

A fim de evitar ataque de formigas (saúva), deves-se enrolar um pedaço de folha de jornal no caule, amarrando-se suas extremidades e pincelando todo o jornal com graxa (J). Esta proteção vai evitar o ataque de formigas pelo menos 6 meses. As formigas (saúvas) são as principais inimigas do pau-brasil.

 


 

AUTORES E OBRAS CONSULTADAS:


AGUIAR, Francismar F. A. Observações Preliminares sobre o Pau-brasil / Entrevista ao Projeto Brasil Urgente / Instituto de Botânica. São Paulo, Junho/2004.

BUENO, Eduardo. História do Brasil . Editora Zero Hora / RBS Jornal.
_______Pau-Brasil, Editora Axis Mundi, Sãp Paulo, 2002

CALMON, Pedro. História do Brasil , vol. 1. Editora José Olympio, 1959.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira , vol. 1. Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1963.

LIMA, Haroldo Cavalcante de. Pau-brasil / Org. Eduardo Bueno. Editora Axis Mundi, São Paulo, 2002.

SOUZA, Bernardino José de. O Pau-brasil na História Nacional . Companhia Editora Nacional / MEC, 1939.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil , vol. 1. Edições Melhoramentos, São Paulo, 1906.

Observações:

a) O pesquisador científico Francismar Francisco Alves Aguiar (do Instituto Botânico/SP), cortesmente, encaminhou ao Projeto Brasil Urgente cópias de vários de seus trabalhos e pesquisas científicas sobre o Pau-brasil. Referidos trabalhos estão à disposição dos interessados na sede do Projeto Brasil Urgente (v. endereço no site do Projeto).

b) Obras raras de historiadores brasileiros (Varnhagem, Calmon, Rocha Pombo, José Bernardino de Souza e outros) podem ser consultadas na sede do Projeto Brasil Urgente (v. site do Projeto).

c) O Projeto Brasil Urgente também disponibiliza aos interessados um folheto, elaborado pelo pesquisador Francismar F. A. Aguiar, contendo “ Instruções Técnicas para o Plantio de Pau-brasil ”.