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COLÔNIA DE EXPLORAÇÃO




Fig 25 (Martim Afonso de Sousa.
Óleo de J. W. Rodrigues.
Museu Paulista / SP).

 

A primeira expedição colonizadora chegou ao Brasil em janeiro de 1532, era chefiada por Martim Afonso e trazia cerca de 400 pessoas. Entre os "Joaquins e Manuéis", nenhuma mulher.


Missão inicial do colonizador: afundar navios inimigos, criar vilas e produzir açúcar para a Metrópole. Depois da fundação dos primeiros núcleos de povoamenrto e da instalação dos primeiros engenhos, a Coroa Portuguesa resolveu (em 1534) lotear as terras brasileiras em grandes propriedades (maiores que muitos países europeus) e doá-las a comerciantes portugueses que quisessem explorá-las com seus próprios recursos. Nasciam assim as Capitanias Hereditárias, ou seja, os grandes latifúndios que até hoje existem no Brasil.


Apesar do insucesso de quase todas as Capitanias, o sistema implantado cumpriu dois objetivos: 1) ocupação do território brasileiro por poderosos latifundiários; e 2) transformação do Brasil numa colônia de exploração com a função de gerar riquezas para Portugal. Dessa forma, começou o Brasil Colonial: voltado para fora, produzindo bens para a Europa. E assim continuou por três séculos: “capado e recapado, sangrado e resangrado”, na expressão do historiador Capistrano de Abreu.



 



Fig.26 (Fundação de São Vicente.Óleo de Benedito Calixto. Museu Paulista / SP).

 

O primeiro passo no sentido de ocupação efetiva das terras brasileiras foi o envio da expedição de Martim Afonso de Sousa, patrocinada por dom João III. Chegando ao Brasil (janeiro de 1532), Martim Afonso e seus 400 homens fundaram a Vila de São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. Nessa primeira vila, foram edificadas: a sede da administração municipal (Casa do Concelho), uma capela (dedicada à Nossa Senhora da Assunção), um engenho de açúcar (movido à água) e uma cadeia pública. Nesse mesmo modelo foram fundadas as demais vilas brasileiras.


 

Fig.27 (Capitanias Hereditárias. Distribuição das Donatárias. Nova História Crítica do Brasil, 500 anos de história malcontada, Mario Schmidt, Editora Nova Geração, 1998).

 

A solução encontrada por Portugal para colonizar o Brasil foi a implantação das Capitanias Hereditárias. Com essa medida, o governo português (atolado em crise financeira) transferia para a iniciativa privada o ônus da colonização.

 

 

 

 



 

Fig.28 (Brás Cubas. Brás Cubas. Autor desconhecido. Santa Casa de Misericórdia. Santos / SP).

 

Nas terras adqueridas na Capitania de São Vicente, Brás Cubas ergueu um povoado e um hospital para marítimos. Daí originou-se o Porto de Santos, elevado à categoria de Vila em 1545.

 

 

 

 

 


 

Fig.29 (João Ramalho. Óleo de José Washt Rodrigues. Museu Paulista / SP).

 

Degredado, náufrago, desertor ou aventureiro? Não se sabe. O certo é que ele foi achado por Martim Afonso coabitando com várias índias. A ele se atribui a tarefa de colaborar com a colonização.

 

 

 


 

Fig.30 (Primeiro Governador da Colônia. Óleo de Manoel Victor Filho. Grandes Personalidades da Nossa História, vol 1, Abril Cultural, 1969).

 

 

Tomé de Souza desembarcou na Bahia com cerca de 1.000 pessoas, entre as quais 400 degredados(1,2) e seis jesuítas. O sistema de Governo-Geral manteve a estrutura das Capitanias (com seus imensos latifúndios) privando a Colônia de um desenvolvimento autônomo e independente.

 

 

 

 


 

Fig.31 (Primeiro Bispo do Brasil. Dom Pero Fernandes Sardinha. História do Brasil, vol 1, Bloch Editores, 1972).

 

Dom Pero Fernandes Sardinha chegou à Bahia em 1552. Quatro anos depois, quando voltava a Portugal, após brigar com o filho do segundo Governador-Geral, naufragou na costa de Alagoas e foi devorado pelos índios caetés.

 

 

 

 


 

Fig.32 (Concubinas para os colonos. Ilustração de Nilo Rosso. História do Brasil em Cores. Guseppe Maltese, Henrique Maltese e Solza Diniz).

 

Nos primeiros momentos da colonização portuguesa, os colonos não traziam suas famílias para o Brasil, por isso, pediram ao bom rei que mandasse para cá orfãs desvalidas, as quais seriam suas amantes. Foram atendidos: nos anos de 1552, 1553, e 1557 chegaram as primeiras levas. Essas meninas púberes, geralmente entre 13 e 15 anos, eram retiradas do orfanato Recolhimento de Nossa Senhora da Encarnação(3).

 


 

Fig.33 (Colonos “conquistadores”. Ilustração de Molica. Brasil Colônia, Joel Rufino dos Santos, Editora FTD, 1992).

 

Para refletir: os colonos ingleses, tradicionalmente, traziam seus familares para a América e costumavam edificar nas suas cidades uma escola e um banco; os portugueses traziam degredados e, quase sempre, construíam uma igreja e uma cadeia(4).

 

 

 

 


 

 

 

NOTAS:

  1. Os jogadores trapaceiros e os desocupados eram candidatos ao degredo, assim como os ofensores da Realeza, os infratores do código moral e os perturbadores da ordem pública. A legislação, embora severa, fazia distinção dos réus: assim, os nobres cumpriam penas mais leves do que os plebeus pelo mesmo crime, estendendo-se o privilégio às mulheres, que, na concepção patriarcal, não passavam de seres inferiores ( Saga, A Grande História do Brasil, vol I, p. 76, Abril Cultural, São Paulo, 1981 ).




  2. Em geral, os crimes punidos com a morte, havendo circunstâncias atenuantes, podiam ter a pena comutada em degredo. A duração da pena variava, teoricamente, de cinco anos à vida inteira. Na prática, os condenados quase sempre ficavam no Brasil, pois a Coroa “se esquecia” de lhes dar passagem de volta. Esse esquecimento proposital mostra que a partir de certo momento o degredo foi usado para engrossar o fluxo de imigrantes para a Colônia. O sociólogo Gilberto Freyre chegou a sugerir uma hipótese mais arrojada: o grande número de criminosos sexuais entre os degredados (estupradores, adúlteros, “extravagantes” segundo a moral da época) indicaria a intenção de acelerar o crescimento vegetativo da população colonial ( Op. cit., p. 76 ).




  3. Esse estabelecimento foi fundado em Lisboa em 1543, inicialmente com a capacidade para 21 órfãs(História do Brasil, Vol. 1, p.236, Pedro Calmon, Livraria José Olympio Editora, Rj, 1961).




  4. Quando verificamos a sociedade criada pelo português no Brasil, podemos facilmente encaixá-lo no perfil do “aventureiro”. Os pioneiros não vieram para cá com o intuito de criar uma nova sociedade, ou mesmo reproduzir a sua própria, tal como se verificou no nordeste dos atuais Estados Unidos, onde famílias puritanas acreditavam ter descoberto a nova “Canaã ”, da mesma forma que os hebreus, em fuga da escravidão do Egito, alcançaram a terra dos cananeus. Pelo contrário: “apesar do reconhecimento do potencial econômico do Brasil, este era visto pela maioria dos portugueses como um lugar de exílio e perigo; um lugar para enriquecer ou progredir na carreira, mas um lugar a ser evitado a qualquer custo” (Sérgio Buarque de Holanda citado por Marina Gusmão de Mendonça e Marcos Cordeiro Pires in Formação Econômica do Brasil, p. 42, Editora Thompson, São Paulo, 2002).




  5. Ao discorrerem sobre a árvore-símbolo do Brasil, Eduardo Bueno e Haroldo Cavalcante Lima denunciam: “Praticamente em nenhum instante da história do país (colônia, império e república), os brasileiros puderam ter acesso ao pau-brasil para uso prático, estudos botânicos ou desfrute estético. É uma espécie que, de certo modo foi “seqüestrada”do convívio com o povo. É a imagem de uma riqueza que sempre foi nossa e nunca pôde ser nossa (Op. cit., p. 266).



 

FILMOGRAFIA:

O carro de boi. 1974. Curta-metragem dirigida por Humberto Mauro. O filme mostra aspectos históricos do primeiro veículo rodado no Brasil-Colonial. A fita faz parte do volume 4 da coleção Brasilianas.