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PAINEL 32




Fig. 65 (Monumento às Bandeiras. Parque Ibirapuera, São Paulo/SP).

 

Calculam os historiadores que em apenas dez anos (1628 a 1638), os bandeirantes paulistas capturaram e exterminaram cerca de 60 mil índios. Para os jesuítas da época, esse número chega a 300 mil.

As Entradas (expedições de caráter oficial e militar) foram organizadas primeiro com o objetivo de conhcer a terra e submeter os índios, e depois para procurar riquezas minerais. As Bandeiras ( de iniciativa particular) direcionavam suas atividdades para a busca de ouro e para a caça de mão-de-obra indígena. Entre 1693 e 1695, os bandeirantes paulistas encontraram as primeiras jazidas de ouro, que mais tarde iriam beneficiar Portugal e enriquecer a Inglaterra.

Dois experientes bandeirantes ( preadores de índios ) não encontraram ouro, mas se notabilizaram por outras bravezas: Antônio Raposo Tavares, em uma de suas marchas pelo sertão, retornou trazendo vários caixotes com milhares de orelhas salgadas de índios e de escravos foragidos. Domingos Jorge velho, a mando de senhores de engenho, dos negros, realizou ações de extermínio de centenas de índios e comandou a matança dos negros de Quilombo de Palmares, em alagoas.



 



Fig. 66 (Pouso de uma monção. Obra de Aurélio Zimmer. Museu Paulista/SP).

 

As Entradas e Bandeiras contribuíram, de forma decisiva, para a expansão territorial brasileira e ocupação do interior do país. Por outro lado, elas foram responssáveis pelo apresamento e assassinato de milhares de índios. No ciclo de caça ao índio, os bandeirantes paulistas saquearam e destruíram os aldeamentos de Guaíra (Paraná), Itatim (Mato Grosso) e Tape (Rio Grande do Sul). Nessas missões, as crianças e os velhos eram abatidos impiedosamente e os adultos acorrentados pelo pescoço para serem vendidos como escravos. Na fase de sertanismo de contrato, os bandeirantes alugavam seus serviços para autoridades coloniais e latifundiários. Missão: capturar e matar índios e escravos foragidos(1).


 

Fig. 67 (Estátua de Fernão Dias. Estrada de Porto Alegre, em Minas Gerais).

 

Como assinala o histotiador Florival Cáceres, “os bandeirantes não foram colonizadores: homens que ocupavam a terra e se fixavam nela para trabalhá-la; eram conquistadores nômades, predadores que destruíam missões jesuíticas e índios”(2).

 

 

 



 

Fig. 68 (Uma “peça” feminina sendo capturada. Tela de Antônio Pereiras, inspirada nas bandeiras de preação. Museu Antõnio Pereiros. Niterói/RJ).

 

Homens ou mulheres, o destino dos índios era o mesmo: a escravização. E, se houvesse resistência, a punição poderia ser a morte. O sertanista Antônio Dias Adorno capturou, de uma só vez, cerca de sete mil índios.

 

 

 

 

 


 

Fig. 69 (Antônio Raposa Tavares. Óleo de Manuel Victor Filho. Museu Paulista/SP).

 

Este bandeirante foi um dos grandes responsáveis pelo desbravamento das regiões meridionais brasileiras. Seu nome(3), figura também, na lista dos preadores mais violentos do ciclo de caça ao índio. Provas: participação na destruição das missões jesuíticas e costume de arrancar as orelhas das vítimas.

 

 

 

 


 

Fig. 70 (Domingos Jorge Velho. Obra de Benedito Calixto. Museu Paulista/SP).

 

Este bandeirante foi contratado pelo governador de Pernambuco para destruir Palmares, um reduto com mais de 20 mil escravos foragidos. Foi ele, também, quem dizimou tribos inteiras na região de São Francisco, Mranhão e Piauí. Em troca desses serviços, recebia terras, escravos e dinheiro(4, 5).

 

 

 

 


 

Fig. 71 (Zumbi). Obra de Manuel Victor. Grandes Personagens da Nossa História, vol. 1. Abril Cultural, 1969. Belmonte. Saga, A Grande História do Brasil, vol. 2. Abril Cultural, 1981).

 

Durante 14 anos, este líder palmarino organizou e mobilizou seu povo contra ataques de poderosos senhores de engenho. Traído por um dos seus companheiros, Zumbi caiu nas mãos do adversário e foi assassinado no dia 20 de novembro de 1695. Em sua homenagem essa data transformou-se no Dia da Consciência Negra.

 

 

 

 


 

Fig. 72 (Reprodução. Belmonte. Saga, A Grande História do Brasil, vol. 2. Abril Cultural, 1981).

 

É assim que a historiografia oficial mostra os bandeirantes: sempre segurando um mosquetão ou uma espada, usando uniformes vistosos, coletes de couro crú estofados com algodão, chapelões de abas largas e botas longas. O passado é lembrado com monumentos, estátuas e nomes de rodovia, avião, estação de TV e de palácios(6).

 

 

 

 


 

Fig. 73 (Os Pioneiros. Óleo de Rafael Falco. Coleção Dulce Moura de Albuquerque).

 

No final do século XVII e ínicio do XVIII, os bandeirantes começaram a encontrar ouro nas regiões mineira e centro-oeste. Entre os pioneiros dessas descobertas, estão Garcia Rodrigues Pais, apontado como o primeiro a achar ouro em Minas Gerais , entre 1693 e 1695 ( pionerismo esse, também, reclamado para outro paulista, Antônio Rodrigues Arzão); Pascoal Moreira Cabral, no estado de Mato Grosso, em 1719; e Bartolomeu Bueno da Silva, no atual estado de Goiáis, em 1725. A partir de então, começou a grande desputa pelas pepitas amarelas(7).

 


 

 

 

NOTAS:

  1. “Em apenas três décadas, as primeiras do século 17, os bandeirantes e seus mamelucos mataram e escravizaram cerca de 500 mil índios, destruindo mais de 50 reduções jesuíticas nas regiões do Guairá, do Itatim e do Tape” (História do Brasil, p. 41, Eduardo Bueno / Projeto Editorial, Zero Hora/RBS Jornal).



  2. “Os homens que participavam das bandeiras eram mestiços rudes e pobres que vagavam pelos sertões em busca da sobrevivência econômica, fosse escravizando índios, fosse procurando metais preciosos (...) se ultrapassaram a linha do Meridiano de Tordesilhas e conquistaram a maior parte do Brasil atual para o domínio português, fizeram-no inconscientemente, como um subproduto da luta desesperada pela sobrevivência” (História do Brasil, p. 74, Florival Cáceres, Editora Moderna, São Paulo, 2000).



  3. Nome mais importante do chamado ciclo da caça ao índio das bandeiras paulistas, Antônio Raposo Tavares foi um dos grandes responsáveis pela ampliação das fronteiras meridionais brasileiras. O roteiro por ele percorrido (cerca de 12 mil km.) quase ligou, de sul a norte, os atuais pontos extremos do Brasil (História do Brasil, vol. I, p. 133, Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1972 ).



  4. “ O conflito estendeu-se de 1692 a 1695 e resultou na completa destruição da mais temida povoação de escravos fugidos (História Total 1, Brasil: Período Colonial, p. 100, José Jobson Arruda, Editora Ática, São Paulo, 1998).



  5. “ O ataque decisivo aos Palmares realizou-se nos primeiros meses de 1694, resistindo os quilombolas com veemência espantosa, usando armas de fogo e flechas, água fervente e brasas acesas, que lançavam pela estacada. Oliveira Lima deu aos aos Palmares o nome de Tróia Negra, “o mais belo e heróico de todos os protestos do escravo”, e cuja história “tem lances de uma Ilíada” (Novo Dicionário de Historia do Brasil, p. 500, Organização Geral do Departamento Editorial das Edições Melhoramentos).





  6. “ Nos anos 1640, dois devotados historiadores, Afonso Taunay e Alfredo Ellis Jr., deram início à fabricação do mito bandeirante. Os documentos que acharam e publicaram revelam uma saga de horrores. Ainda assim, Taunay e Ellis Jr. preferiram forjar a imagem dos bandeirantes altivo e galhardo, como se esses caçadores de homens fossem os “Três Mosqueteiros”. Mas ambos sabiam que muitos dos bandeirantes andavam descalços, mal falavam português e estavam treinados para escravizar e matar” (Eduardo Bueno / Projeto Editorial, op. cit., 41).



  7. Ao fazer um balanço geral do bandeirismo de apresamento (à parte o posterior bandeirismo pesquisador de pedras e metais preciosos), o historiador Sergio Buarque de Holanda apresenta o seguinte saldo positivo: a) o alargamento territorial do Brasil, b) o devassamento do interior facilitando o povoamento, c) o recuo da expansão castelhana representada pelos jesuítas, d) o fornecimento de braços para as lavouras piratininganas e para a região da cana-de-açucar e outras, e) a manutenção e a sobrevivência do núcleo social paulista (História Geral da Civilização Brasileira, vol. 1, p. 315, Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2003).


     

FILMOGRAFIA:

O caçador de esmeraldas. 1979. Direção: Oswaldo de Oliveira. Brasil, Segunda metade do século XVII. O bandeirante Fernão Dias Pais, em busca desesperada por esmeraldas, permanece sete anos no sertão, enfrenta rebeliões, enforca seu próprio filho, vende bens da família e morre nas matas sem achar as cobiçadas pedras.