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O BRASIL COLONIAL



Fig. 65 (Monumento às Bandeiras. Parque Ibirapuera, São Paulo/SP).

 

(Regresso de um proprietário, Prancha de Debret). A empresa açucareira brasileira, assentada em grandes latifúndios, produzia exclusivamente para o mercado europeu. O escravo era considerado “as mãos e os pés do senhor”.

Desde o início da colonização, Portugal impôs ao Brasil, o Pacto Colonial, estabelecendo um rígido monopólio sobre o comércio colonial brasileiro. Diante dessa exclusividade mercantil, o Brasil ficava submetido a três situações: 1) só podia veder seus produtos para Portugal; 2) só podia adquirir mercadorias e outros gêneros dos comerciantes portugueses; e 3) a Colônia ficava proibida de concorrer com a sua Metrópole.

Sobre os efeitos do Pacto Colonial (o verdadeiro embrião do atraso do Brasil) o historiador Alfredo Boulos Júnior enfatiza: “a economia brasileira tornava-se assim complementar da portuguesa, já que produzia apenas os artigos que atendiam aos interesses econômicos da burguesia e do rei de Portugal. Assim, existindo apenas para enriquecer sua metrópole, o Brasil foi, durante mais de três séculos, exemplo típico de uma colônia de exploração" (1).

 


 


Fig. 87 (Carro de Boi. Obra de Vicente do Rego Monteiro. Museu do Homem do Nordeste/Recife).

 

A Era Colonial - caracterizada pelos ciclos do pau-brasil, açúcar e ouro - mostra que o Brasil, mesmo sob um rigoroso regime de restrições econômicas, apresentava exuberância em outras atividades. Exemplos: coleta de drogas do sertão (castanha, guaraná, cacau, cravo, canela) e outras especiarias tropicais que deliciavam o paladar dos europeus); pecuária (fator de interligação entre as várias regiões do país); cultura do algodão (matéria-prima canalizada exclusivamente para a indústria têxtil inglesa); tabaco (em grande parte, utilizado para a aquisição de escravos da África); e o ressurgimento, no final do século XVIII, da lavoura canavieira (favorecida pela abundante mão-de-obra escrava disponibilizada pelas minas sem ouro).

 


 

Fig. 88 (D. Maria I. Instituto Histórico e Geográfico. Salvador/BA).

 

Esta rainha portuguesa governou de 1777 a 1792. Pressionada pela Inglaterra, ela proibiu o funcionamento de manufaturas e teares no Brasil (2). À exceção de sacos e panos grosseiros, nada mais podia ser produzido aqui. Dessa forma, o Leão Britânico manietava Portugal e impedia o desenvolvimento do Brasil.

 



 

Fig. 89 (Universidade de Coimbra, Portugal. Coimbra/Portugal).

 

Por este tradicional centro acadêmico, fundado em 1290, passaram (até o final da Colônia) 2.464 estudantes brasileiros. Um deles, Antônio José da Silva, dito o Judeu, foi torturado nos cárceres da Inquisição Portuguesa e queimado em praça pública, em Lisboa. A velha universidade (onde os estudantes de medicina só podiam dissecar(3) cadáveres de carneiro) expressava a grande contradição do Reino: defendia as idéias liberais em voga na Europa, porém, não admitia sua aplicação prática no Brasil.

 


 

Fig. 90 (Quadro de Debret. Quadro de Jean Baptiste Debret).

 

Os grandes proprietários de terras, chamados “homens bons” controlavam os interesses e négocios públicos locais através da manipulação das Câmaras Municipais. Para isso, tinham poderes para eleger a Vereança (3 vereadores) e a Presidência da Câmara (1 juiz, ordinário ou de fora)(4, 5).

 


 

Fig. 91 (Parte de uma prancha de Debret.

 

Na família patriarcal colonial, o chefe decidia a profissão dos filhos e quando e com quem as filhas deveriam se casar. Ao primogênito estava reservado suceder o pai nos negócios; o segundo filho destinava-se à carreira eclesiástica; e o caçula estudaria na Europa.

 


 

Fig. 92 (Dois rostos femininos. Obra de Milton Dacosta).

 

Na sociedade colonial, a mulher era educada para o casamento e para ser obdiente ao marido. Para tanto, deveria aprender a costurar, bordar e fazer bolos. Na adolescência não podia sair de casa desacompanhada dos pais, casava-se entre 15 e 17 anos e continuava, quase sempre, analfabeta.

 

 

 


 



Figs. 93 (Gregório de Matos. Reprodução/Bruno Veiga,
Quem é Quem na História do Brasil. Almanaque Abril, 2000).


Figs. 94 (Cláudio Manuel da Costa. Reprodução. Biografias de Personali-
dades Célebres, de Carolina Rennó Ribeiro de Oliveira. Editora Lisa, 1990).
 

Poucos brasileiros - uns formados na Europa, outros sem sair da terrinha - contribuíram para a produção cultural colonial. Na escultura, sobresaíu-se a obra de Aleijadinho (6), marcada pelo estilo barroco. Na literatura, dois letrados procuparam-se com as injustiças da sociedade colonial: Gregório de Matos, que satirizou os administradores renóis corruptos e Cláudio Manuel da Costa, que poetizou a riqueza escondida nas rochas e falou da violência fiscal dos metropolitanos. Na crônica histórica, Frei Vicente do Salvador (considerado “o pai da histriografia colonial”), José Antônio Caldas (membro da Academia Brasílica dos Renascidos) e Gaspar da Madre de Deus (pesquisador de arquivos dos cartórios coloniais) debruçaram-se sobre a Historiografia Colonial.

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

NOTAS:

  1. História do Brasil, 1: Colônia, p. 53, Alfredo Boulos Júnior Editora FTD,



  2. Um Alvará, datado de 5/1 1785, baixado por D. Maria I, proibia a existência de indústrias no Brasil, excetuando “os panos grossos de algodão para vestuário de índios e escravos e fardos” ( História Administrativa e Econômica do Brasil, p. 183, Hélio de Alcântara Avellar, MEC, 1970).



  3. Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 17, p. 9224, São Paulo, 1983.




  4. “ No Brasil em geral, a Câmara era composta pelo juiz (de fora ou ordinário), como presidente, três vereadores, um procurador, dois almotacés e um escrivão, além de um síndico, um tesoureiro e um advogado” (Hélio de Alcântara Avellar, op. cit., p. 101).



  5. “ Escolhiam-se seis eleitores, cada votante elaborando, para tal fim, um rol com os seis nomes preferidos, tomado, secretamente, de cada um, pelo escrivão da Câmara, acompanhado pelo vereador de mais idade, sendo eleitos os ganhadores de mais votos, que juravam sobre o Evangelho” (Idem, op. cit., p. 101).




  6. Antônio Francisco Lisboa (dito o Aleijadinho) viveu com saúde até os 40 anos de idade. A partir daí começou a sofrer de uma enfermidade que aos poucos o foi inutilizando e deformando. Perdeu os artelhos; a boca entortou-se-lhe, os dentes caíram, os olhos incharam, as pernas se atrofiaram e ele tornou-se um ente repugnante, que assustava a todos. Terminou seus dias aos 84 anos de idade, cego e paralítico, sobre um estrado na humilde casa de sua nora, em Ouro Preto, mesma cidade onde nascera em 1730. Depois de sua morte ficou esquecido por mais de 40 anos, até que Rodrigo Bretas lhe escrevesse uma biografia (1858), voltando a ser louvado somente após o movimento de afirmação dos valores nacionais provado pela Semana de Arte Moderna (1922). A natureza da sua doença (só conseguia andar de joelhos ou no tumtum de um de seus escravos) é objeto de controvérsias: tratava-se de tromboangeite obliterante (ulceração gangrenosa das mãos e pés), zamparina (alteração dos sistemas nervosos e locomotor), escorbuto ( moléstia decorrente de falta de vitaminas), ou um tipo de encefalite ou ainda, hanseníase e sífilis? Dá-se como certo que o mal não impediu que Antônio Francisco Lisboa trabalhasse até por volta dos 80 anos de idade. Com os dedos das mãos perdidos, uns, e quase sem movimentos os outros, mandava que lhe amarrasse diariamente às mãos o martelo e o cinzel, para poder esculpir. Assim, ajudado por seus três escravos (Maurício, Januário e Agostinho) e outros ajudantes, todos talhadores, Antonio Francisco Lisboa transformava sua deformidade em grandiosidades: desenhou e esculpiu imagens, altares, púlpitos, lavabos, tetos e igrejas inteiras. Edificou, com extraordinária grandeza humana, o mais importante conjunto arquitetônico de todo o período colonial brasileiro. Sua obra funde os diferentes estilo barroco rococó alem dos estilos clássico e gótico, com temáticas sacras e materiais inteiramente nacionais, como a pedra –sabão. Seus trabalhos podem ser vistos em Ouro Preto, Congonhas, Sabará, São João Del Rey, Mariana, Caeté, Barão de Cocais e Tiradentes. Na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Antonio Dias repousam os restos mortais do artista. O apelido, no diminutivo, expressa pura compaixão e meiguice do povo brasileiro. (Grandes Personalidades da Nossa História, vol. 1, pp. 237/252, Abril Cultural, São Paulo, 1969. Enciclopédia Mirador Internacional, vo.l 2, pp. 300/303, São Paulo, 1983. Biografias de Personalidades Célebres, pp. 346/348, Carolina Rennó, Ribeiro de Oliveira, Editora Lisa, São Paulo, 1990. Quem é Quem na História do Brasil, 500 Biografias, p. 61, Almanaque Abril, São Paulo, 2000).




FILMOGRAFIA:

O Aleijadinho. 1978. Direção: Joaquim Pedro de Andrade. Roteiro e texto: Lúcio Costa. Trilha sonora composta com músicas de compositores da época. Documentário. Faz parte da coleção Brasilianas. O filme narra a vida e a obra de Antônio Francisco Lisboa.