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PAINEL 22




( "El Emperador." D. Pedro II ao lado de um comandante brasileiro, segundo a revista paraguaia El Cabichuí).

 

À epoca da guerra, a imprensa de ambos os países animalizava os exércitos opositores com figuras de macacos, cães, abutres e outros bichos.

Para o governo brasileiro, o episódio que deu início à guerra foi o aprisionamento do navio Marquês de Olinda. Para os paraguaios, a ofensiva partiu do Brasil com sua intervenção militar na região platina.

Na “missão”de destruir o vizinho paraguaio, os aliados contaminaram as águas dos rios com cadáveres, incendiaram um hospital com dezenas de enfermos, degolaram crianças e estupraram mocinhas guaranis.



 


Figs. 160 à 163 (Revistas El Cabichui, Arlequim, Mosquito, Vida Fluminense e A Semana Ilustrada / Tese de Mestrado de Mauro César Silveira / Revista Veja, de 3/7/1996).

 

A primeira figura acima mostra Solano López comandando um exército de caês com rabos e fucinhos ( visão da impresa brasileira ). Na figura abaixo, Conde d’eu e Caxias supervisionam tropas de macacos com rabos e orelhas ( visão da imprensa paraguia ). Na terceira figuras, López é comparado a Nero e na seguinte, o chefe paraguaiu tenta recompor “pedaços” do seu exército. Por trás dessa bem montada propaganda de guerra, não estaria o cérebro do Leão Britânico? Em meados do século XIX, o Paraguai era um exemplo para os seus vizinhos sul-americanos: não tinha dívida externa; não possuia escravos; o governo oferecia escolas gratuitas para as crianças; e as terras públicas eram distribuídas para aqueles que quisessem cultivá-las. Sem se submeter ao capital estrangeiro, o país desenvolvia, com recursos próprios, suas ferrovias, fábricas de tecidos, telégrafos, estaleiros, metalúrgicas e instrumentos agrícolas. Tarifas alfandegárias altas protegiam os produtos nacionais. Dessa forma, o Paraguai marchava para a sua industrialização pondo em risco os interesses da Inglaterra na América do Sul. Daí o planejamento da maquiavélica “Tríplice Infâmia” (celebrada em Buenos Aires, sob as bençãos de um representante britânico) com o objetivo de derrubar a “abominável” ditadura paraguaia. Fig. 162 (Solano López). Na vida real, López foi um grande empreendedor nacionalista. A imprensa do Império forjou a imagem de um tirano louco comparável a Nero. Caçado até os confins de sua terra, o chefe paraguaio não teve direito à clemência: foi morto com golpes de lança e um tiro nas costas. Depois, seu corpo foi mutilado, pisoteado e cuspido por soldados brasileiros. Fig. 163 (López tentando recompor seu exército). Terminada a guerra, o Paraguai ficou em ruínas: 75% da população foi exterminada; a indústria e agricultura, destruídas, nunca mais se recuperaram; as terras e as ferrovias foram vendidas a estrangeiros; e ainda sobre os escombros do país, caiu o primeiro empréstimo da sua história (libras esterlinas, of course). E os vencedores? A Argentina ganhou todo o Chaco Paraguaio; o Uruguai (beneficiado com o fluxo de distribuição de materiais) sai fortalecido na sua economia; e o Brasil (com um exército constituído na maior parte de gente humilde e escravos) perdeu cerca de 100 mil homens, pediu mais dinheiro à Inglaterra e restou combalido financeiramente até o final do Império.


 

 
 
 

Fig. 164 (Conde d`Eu. Conde d`Eu, detalhe. Charles Steffeck, Antigo Palácio do Itamaraty / Rio ).

 

No Paraguai, o dia 16 de agosto é o dia da ciança. Essa data relembra a Batalha de Acosta Ñú. Ali cerca de 3.500 crianças foram degoladas pelos soldados brasileiros. No final da matança, conde D`Eu mandou incendiar um matagal cheio de crianças mutiladas e agonizantes.

 

 

 


 

Fig. 165 (Encouraçado Erval, um dos 49 navios-sucatas comprados à Inglaterra).

Os frutos da guerra (venda de navios, empréstimos financeiros leoninos e livre comércio na Bacia Platina) foram colhidos pela Inglaterra. A maior guerra das Américas teria sido uma maquinação saída do cérebro do Leão Britânico? Para refletir: 1) o projeto industrial paraguaio incomodava profundamente a Ingraterra; 2) a Tríplice Aliança foi elaborada secretamente na Argentina, onde um ministro inglês exercia grande influência sobre o Governo local; 3) o Acordo fixava antecipadamente os ganhos territoriais dos aliados, constituindo-se num “negócio” irrecusável; 4) a Ingraterra emprestou dinheiro aos aliados e acompanhou a guerra com todo empenho; 5) ao findar o conflito, as fábricas paraguaias foram destruídas uma à uma e os equipamentos lançados nos rios.

 


 

 

NOTA: O jazigo de Pedro Alvares Cabral foi encontrado, em 1838, na Igreja do Convento da Graça, Santarém / Portugal, pelo historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagem.