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COMPRA DE VOTOS




(“Compra de Votos”. O Cabrião, Ângelo Agostini.

 

Fraudes mais comuns nas eleições do Governo Imperial: contagem de votos de defuntos, de crianças e escravos; troca de urnas autênticas por outras falsas e nomeações de juízes e chefes de polícia “de confiança” para compor as mesas eleitoras.

Eleitos quase sempre à sombra de falcatruas, os políticos “liberais”e “conservadores” representavam exclusivamente os intereses das classes dominantes (grandes proprietários rurais, no nordestedas e cafeicultores, no sudeste).

O Sistema Eleitoral do Império (fraudulento e elitista) excluía da vida política quase toda a população brasileira. Para se ter uma idéia: de uma população de 8 milhões de pessoas em 1860, apenas 1% do total tinha direito a voto.

 


 



Fig. 177 (O Sapateiro Eleitor. Rafael Mendes de Carvalho, História da Caricatura no Brasil, de Herman Lima).

 

Nesta caricatura - satirizando a caça ao voto na época do Império - um cabo eleitoral procura um pobre sapateiro e lhe mostra a sua chapa. O esclarecido sapateiro, porém, aponta para duas estampas que se acham na parede de seu ofício: a primeira mostra uma escada formada pelo povo e um político a subir por ela em busca do poder; na segunda estampa, o candidato já no topo da escada dá um ponta-pé naquele que lhe ajudou a subir. ( 1 )

 

 


 

Fig. 178 (Venda de Títulos e Honrarias. Paulo R. Salomão, O Cobrião, I.G.B/SP)

 

Um ponto característico da Monarquia brasileira era a política de favores, incluíndo a distribuição de títulos de nobreza (de Barão a Duque) condecorações, (Ordem de Cristo, Cruzeiro, etc.), cargos públicos (só para católicos e apadrinhados) e até os tratamentos de Excelência e Senhoria. Por trás dos panos, corria muito dinheiro e corrupção. O índio (na caricatura representando o legítimo brasileiro) envergonhado da conduta de seus irmãos civilizados, esconde o rosto. ( 2 e 3 )



 

Fig. 179 (O papel da oposição no Império. Revista Ilustrada. Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro/RJ).

 

Sem divergências ideológicas, os dois partidos políticos do Império (o Liberal e o Conservador) estavam sempre girando em torno do Imperador. Essa sintonia áulica permitia o rodízio de dos dois grupos no poder, o ajustamento dos interesses das classes dominantes e a preservação da figura do Iimperador de critícas à administração do país. Por isso, durante 49 anos, D. Pedro II governou à vontade tanto entre “conservadores”, como ao lado dos “liberais”. ( 4 e 5 )


 

 

 

NOTAS:

  1. Restrita a um pequeno círculo da sociedade, a política era uma das tantas atividades aristocráticas que excluíam a quase totalidade da população brasileira. Para não falar no Parlamento, onde só tinham assento os representantes das classes dominantes, a própria representatividade eleitoral era quase nula: de uma população de 8 milhões de pessoas em 1860, apenas cerca de 80 mil (1% do total) tinham direito a voto. Esse sistema, com o qual concordavam “liberais” e “conservadores”, foi a base sobre a qual se estruturou o poder imperial (Saga, A Grande História do Brasil, vol. 3, p. 194, Abril Cultural, São Paulo, 1981).



  2. “Nada mais conservador que um liberal no poder. Nada mais liberal que um conservador na oposição.” Esta definição do escritor Oliveira Viana cabe como uma luva nos políticos da Regência e do Segundo Reinado. Na maioria das vezes suas desavenças, seus debates acalorados no Parlamento eram simples frutos do jogo político, da luta pelo poder, sem qualquer conotação ideológica (Saga, idem, p. 147).




  3. As diferenças entre o Partido Liberal e o Partido Moderador eram tão grandes que se costumava dizer: “Um partido que sobe entrega o programa de oposição ao partido que desce e recebe deste o programa do governo” (Idem, p. 204).




  4. Na verdade, a política de favores estendia-se a todos os níveis da vida pública, dos conselheiros e barões do Império aos mais obscuros delegados e subdelegados dos municípios. Nomeado por interferência de algum político, era a este, e não ao Estado, que o funcionário devia lealdade. Desse modo, quase não havia controle sobre o emprego do dinheiro público. Ao subir ao poder, cada “partido” procurava enconbrir seus atos desonestos mais gritantes, havendo intervenção do poder moderador somente quando a corrupção administrativa se tornava escandalosa (Idem, p. 200).




  5. Para a concessão de títulos nobiliárquicos, quem eram os escolhidos do Rei? Em sua maior parte, a nobreza foi formada por pessoas relacionadas às atividades econômicas produtivas (fazendeiros); parlamentares, militares e profissionais liberais. Em seguida, vinham os ocupantes de cargos públicos - incluindo os cargos da Casa Imperial -, comerciantes e negociantes; por fim, professores, intelectuais, os chamados capitalistas, que viviam de rendas; médicos, diplomatas, banqueiros, sacerdores. (As Barbas do Imperador, p. 173, Lilian Moritz Schwarcz, Companhia Das Letras, São Paulo, 1999).



 

FILMOGRAFIA:

Os fuzis, 1963. Direção: Ruy Guerra.
Pequena cidade, interior da Bahia, Nordeste. Soldados convocados, vindos da capital, para impedir que retirantes famintos tentem saquear o armazem. Visão do coronelismo e da miséria no nordeste brasileiro.