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OS COVEIROS DE VARGAS



Fig. 257 (A volta de Getúlio, segundo o caricaturista Nássara).

 

Em 1951, pela via eleitoral, Getúlio voltou à Presidência da República. Sua política populista e nacionalista empolgava as multidões.

Getúlio direcionou seu novo governo para duas realizações que o consagraram: política de amparo aos trabalhadores e medidas de proteção aos interesses nacionais. Neste último setor, o programa econômico getulista abrangia 3 importantes ítens: 1) Criação do BNDE - objetivando o financiamento de projetos de empresas nacionais. 2) Lei de Lucros Extraordinários - limitando a remessa de lucros para o exterior de empresas estrangeiras no país.

O terceiro item incluía a criação da Petrobrás - estabelecendo o monopólio estatal do petróleo brasileiro. Esta medida, concretizada em 1953, feriu altos interesses da Shell, Esso, Texaco e de outras multinacionais que operavam no Brasil. Diante disso, os inimigos do nacionalismo de Vargas (EUA, políticos da UDN e militares anticomunistas) orquestraram uma grande campanha nacional para derrubar o governo.

 


 


Fig. 258 (Getúlio: 19 anos no poder).

 

A figura de Getúlio Vargas é uma das mais controvertidas da história republicana brasileira. “Alguns o amavam freneticamente, outros o odiavam com estupendo rancor. Uns apontavam em Vargas o ditador implacável, o demagogo sem escrúpulos. Outros viam nele o político com sensibilidade social em relação aos trabalhadores, o governante nacionalista” (Palavras do historiador Gilberto Cotrim).


 

Fig. 259 (Campanha em favor da criação da Petrobrás).

 

O Governo de Vargas, na sua última fase, foi marcado pela postura nacionalista. Logo no início do seu mandato, Vargas propôs a criação de uma grande empresa petrolífera brasileira. A partir de então a nação ficou dividida em dois polos: de um lado, os nacionalistas (identificados com a campanha “O Petróleo é Nosso”) e de outro, os entreguistas (favoráveis a entrega do prtóleo do país à exploração de grupos estrangeiros).



 

Fig. 260 (Vargas jogando golfe).

 

À medida que o nacionalismo de Vargas se firmava no cenário nacional (Fundação da Petrobrás, em 1953 e proposição de outras medidas de proteção aos interesses nacionais, como a Lei de Lucros Extraordinários) aumentava, de forma agressiva e radical, a oposição ao seu governo. Entre os opositores estavam o governo dos Estados Unidos, a UDN (principal partido da oposição), empresários ligados ao capital estrangeiro e militares pró-EUA.


 

Fig. 261 (Pijama usado por Vargas no dia da tragédia).

 

Vargas preferiu sair morto do governo. Na madrugada do dia 24 de agosto de 1954. Após uma longa reunião ministerial (na qual se discutiu em vão o afastamemto do presidente), Vargas se retirou para seus aposentos, no Palácio do Catete. Ao amanhecer, seu corpo foi encontrado ao lado de um velho Colt 32 e uma carta endereçada à Nação. Na carta, Vargas denunciava pressões internas e externas. Sua morte comoveu os brasileiros. No Rio de Janeiro, a embaixada dos EUA e as sedes dos jornais oposicionistas foram depredadas por populares. O Brasil inteiro chorava nas ruas.

 


 

 

O que rolou antes da morte do homem que “mexeu” com as sete irmãs? O mais poderoso cartel petrólifero do mundo não admitia concorrentes. Os Estados Unidos queriam que os minérios estratégicos brasileiros fossem, facilmente, acessíveis a empresas norte-americanas. O programa de financiamento do BNDE só permitia a participação de empresas estrangeiras se estas estivessem associadas ao capital nacional. Uma proposta governamental dava um basta nos gordos lucros das empresas internacionais estabelecidas no país. Um corajoso general brasileiro desafiava o Pentágono não permitindo o envio de brasileiros para a Guerra da Coréia. Manipulada, a grande imprensa fazia acusações contra o Palácio. Derrotada , a UDN conspirava. Empresários enciumados se queixavam do namoro do governo com os trabalhadores. O afastamento dos Estados Unidos preocupava os militares esguianos. Os “marmiteiros” recebiam um bom aumento salarial. As investigações do crime da Rua Toneleiros chegavam à Guarda Pessoal do Presidente. E para completar, um ultimato dos generais. Assim, não dava mais para aguentar. Daí, o tiro no coração. Os “coveiros” de Vargas tiveram que esperar até 1964 para tomar o Poder.


NOTA: Na Guerra da Coréia (primeiro filhote da Guerra Fria, parido pelo Pentágono), Vargas foi fortemente pressionado pelo governo dos EUA para colaborar com o envio de tropas brasileiras. Coube ao General Newton Estillac Leal, Ministro da Guerra, evitar que o Brasil caísse nessa arapuca.


CRÉDITOS DAS IMAGENS: Fig. 258 (Ilustração de Mollica para a obra de Joel Rufino dos Santos). Fig. 259 (No cartaz o retrato do General Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, Nosso Século, vol. 7 / Abril Cultural). Fig. 260 (Ilustração de Alvarus Cotrim para Caricaturistas Brasileiros, de Paulo Corrêa do Lago, Editora Sextantes Artes, 1999). Fig. 261 (O pijama de Vargas com a marca da bala no lado esquerdo indicando tiro à queima-roupa).